A recém-criada Federação Teqball Portugal (FTP) está a preparar um programa de expansão da modalidade. Setúbal, Lisboa e Santarém são os distritos onde a federação quer apostar forte, disponibilizando aos clubes mesas a custos reduzidos e formação gratuita de treinadores, dirigentes e árbitros num esforço de implementação deste desporto, inventado em 2014.

O Teqball inspira-se no futebol e junta-lhe um toque de ténis de mesa: pratica-se numa superfície curva (a teqboard), não existe contacto físico entre jogadores e tem como objectivo aprimorar a técnica, a concentração e a resistência.

Como explica ao Correio do Ribatejo Vasco Rocha, vice-presidente da FTP, “o Teqball não é um rival do futebol, mas sim um complemento, melhora a confiança no primeiro toque e a qualidade de passe”.

“Queremos promover, desenvolver e regulamentar a prática da modalidade, organizar competições nacionais e regionais, além de formar treinadores e directores técnicos. O nosso objectivo é facilitar aos clubes e autarquias a compra de mesas para que tenhamos o maior número de espaços equipados e haja uma boa divulgação e acesso à prática”, referiu ainda.

“Estamos na fase de criar raízes. Tudo começou, em termos internacionais, com um grande investimento em marketing, com grandes eventos, com acções no Mónaco, com o príncipe a jogar com o filho. É um desporto que tem como embaixador o Ronaldinho. Portanto, já estamos em grandes palcos, mas falta criar raízes no terreno”, refere.

É nesse sentido, que, nesta semana, responsáveis da Federação reuniram com clubes e autarquias da região para divulgar a modalidade e captar apoios.

Rui Leitão, responsável, em Santarém, da Federação, revelou que existem já contactos com as autarquias de Santarém e Almeirim, “que irão ter um papel importante ao nível da divulgação, ao nível das escolas”.

“O objectivo é proporcionar a prática desta modalidade a nível escolar. Reunimos com alguns clubes da zona e a aceitação tem sido bastante positiva, tanto da parte dos municípios, como da parte dos clubes”, afirmou.

Segundo disse, trata-se de uma modalidade que não requer grandes investimentos, nem infra-estruturas: “aqui, contactamos com já com o apoio da Académica e vamos reunir com o Vitória [Clube de Santarém] e com o União”, revelou.

“Este desporto tem também uma grande vertente no desenvolvimento das capacidades técnicas muito específicas, da recepção, do jogo de cabeça, entre outras, o que pode ser depois transportado para outros desportos, nomeadamente o futebol”, explicitou.

A FPT laçou um plano de expansão para 2020, cuja apresentação foi realizada em Dezembro último durante o ‘Odivelas Teqball Cup’, que teve a participação dos grandes clubes e dos seus antigos jogadores, como Meireles e Bosingwa, que voltaram a vestir a camisola do FC Porto e conquistaram o primeiro torneio realizado em Portugal.

Este plano de expansão, como explica Vasco Rocha, consiste na colocação de mesas no terreno, formação de treinadores e árbitros e também de directores técnicos. Por fim, a intenção é estabelecer competições nacionais.

“Será esse o topo da pirâmide. Sem competição, os clubes não podem investir na modalidade”, refere o responsável.

“Aquilo que conseguimos para implementar o desporto em Portugal foi ter um forte apoio da federação internacional. Nesta primeira fase, garantimos a instalação de 70 mesas. Trata-se de um investimento muito grande que fazemos, com a ajuda de parceiros. Ao trazer estas mesas todas, diminuem drasticamente os custos de transporte e conseguimos outra coisa muito importante da federação internacional: a garantia que podemos oferecer, gratuitamente, aos clubes e autarquias, a formação de técnicos e treinadores, árbitros, e directores técnicos”, disse.

“Aqui, ao contrário de outras modalidades, não serão os clubes a suportar a federação, mas sim a federação a ajudar a que os clubes consigam, com esta mesa, ter mais sócios, criar uma academia, organizar torneios, e inclusivamente alugar a mesa. Será uma fonte de receita alternativa dos clubes”, acrescentou.

Para Károly Henczi, presidente da FTP, a ideia é, no futuro, criar, em Portugal, uma competição do género da que existe no futebol. Já este ano, está previsto um torneio, com pelo menos três etapas, uma espécie de ‘Liga Elite de Teqball’, com 12 equipas já confirmadas.

“Estamos a trabalhar para termos uma sede que permita montar um ‘teqballcenter’, onde todos os entusiastas possam experimentar e treinar”, garantiu Károly Henczi, sugerindo o aumento do pessoal federativo em prol de uma modalidade sem estatuto olímpico, mas com presença assegurada nos Jogos Asiáticos de 2022.

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