Fotos: Marcos Evangelista

‘Feliz Natal e Próspero Ano Novo’ são os votos de toda a equipa que escreve, semanalmente, para vós, caros leitores, este vosso ‘Correio do Ribatejo’.
Continuamos juntos neste desbravar de novos tempos que nos puseram, a todos, à prova.

‘Feliz Natal e Próspero Ano Novo!’.
A frase, de tão dita e escrita, já tem barbas. Tão brancas quanto uma folha de papel despojada de memória.

Não vos vou dar lições de moral sobre o que é viver esta Quadra. Cada qual saberá fazer coincidir o que se deseja aos outros com o que se pratica quando estes precisam de nós e nem sempre nos dizem.

Confesso que não gosto da expressão que 2020 nos trouxe para caracterizar os tempos que agora correm: o tal ‘novo normal’.

Sou dos que acham que admiti-lo é atirar a toalha ao chão. É aceitar este louco 2020 como se de algo ‘normal’ se tratasse. Novo? Sem dúvida, agora… normal?…

“Ninguém sabe se sabe”, como diz a canção de Sérgio Godinho que o próprio lançou em Agosto, mês em que assinalou 75 anos de vida:

“O novo normal
É terreno minado
De acasos
No novo normal
Caem corpos à sorte
Em valas comuns
Num silêncio de morte
Cortado somente
Por soluços distantes
Longe vão os tempos de ser como dantes
No novo normal
Nunca nada vai ser
Nunca igual”.

O Natal deste ano, sendo diferenciador nos momentos de reencontro com os outros, nada terá de diferente se o escolhermos para nos reencontrarmos com nós próprios. Este é sempre o grande desafio: em redor de uma mesa posta, de rituais mais ou menos religiosos, sabermos quem efectivamente somos, para nós e para os outros. É este o desafio de sempre que nenhuma pandemia pode apagar.

Que no Natal deste ano difícil se sentem à nossa mesa todos os entes queridos que não resistiram aos desafios desta pandemia. Que se recordem os que alimentam as nossas memórias e que se cumpra “isto de ser família”, como algo belo, gratificante e animador.

A terminar, nesta Quadra, escolha um Natal seguro e circule entre os conselhos do poeta:

“Dadas as circunstâncias
Mantenha as distâncias
Respeite os espaços
Controle essas ânsia
De beijos e abraços
Refreie as audácias e as inobservâncias
Escolha bem as audácias
Refreie essas ânsias
De beijos e abraços
Dadas as circunstâncias
Respeite os espaços
Respeite os espaços
No novo normal
Nunca são contas feitas…”

João Paulo Narciso

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