As cidades de hoje, a sustentabilidade e as problemáticas do mundo actual são o mote para a sexta edição do Festival de Filosofia de Abrantes, evento que vai decorrer entre 16 e 18 de Novembro, anunciou a autarquia.

 “Sustentabilidade: verdade ou consequências” é o “tema emergente do mundo actual que vai marcar o Festival de Filosofia de Abrantes”, evento que vai reunir na Biblioteca Municipal, durante três dias, “pensadores, académicos em vários domínios, investigadores das áreas do ambiente, energia, clima, mobilidade, ecologia, biólogos e sociólogos”, indicou o município, em comunicado.

O objectivo é “reflectir e debater em praça aberta sobre sustentabilidade e crise climática, enquanto ameaça à humanidade, mas também para a economia”, disse à agência Lusa o vereador da Cultura da Câmara de Abrantes, Luís Correia Dias, tendo referido que “os desafios” do Festival passam por “convocar os cidadãos à reflexão e a marcar posição sobre as problemáticas do mundo atual”, assim como “incentivar e valorizar a reflexão crítica” na sociedade.

“Obviamente que aquilo que queremos fazer com o Festival de Filosofia, já na sexta edição, é ajudar as pessoas a melhor pensar sobre temas e temáticas que são estruturantes ou fraturantes”, afirmou Luís Correia Dias.

“Este ano procurámos pegar em algo que tem sido muito debatido publicamente ao longo dos últimos anos. Ainda há muito pouco tempo o próprio secretário-geral da ONU falava do colapso climático. E começámos a pensar nas questões da sustentabilidade e da verdade que isso acarreta. E, sobretudo, das consequências inerentes de estarmos a desvalorizar o meio ambiente, e estarmos sempre a olhar o que é o PIB, a economia em detrimento daquilo que, se calhar, devia ser uma economia circular e regenerativa constante”, notou o autarca.

Luís Dias destacou a participação de uma “panóplia muito diversificada de especialistas nesta lógica do pensar a praça, pensar a cidade, pensar o mundo”, e de “ajudar a melhorar, com as conclusões que aqui possamos tirar, de tantos e tão bons participantes que vamos ter”.

Com entrada livre, o Festival abre no Dia Mundial da Filosofia com a intervenção do presidente da Câmara Municipal, seguindo-se a conferência inaugural subordinada ao tema “Um novo contrato social para salvar o planeta”, que terá como orador Manuel Collares-Pereira, engenheiro eletrotécnico, investigador coordenador da Cátedra de Energias Renováveis, na Universidade de Évora, e fundador do Instituto Português de Energia Solar.

Fernando Carvalho Rodrigues, Viriato Soromenho-Marques, Alfredo Cunhal Sendim, Francisco Ferreira, Maria Amélia Martins-Loução, Filomena Amador, Gonçalo Cadilhe, Luís Amaral, Filipe Duarte Santos, Manuel Cândido Pimentel, Ana Patrícia Carreto, Margarida Fonseca, e Maria João Valente Rosa são alguns dos oradores que integram o Festival de Filosofia.

No sábado, dia 18, a conferência de encerramento abordará o tema “Pensar a Época do Antropoceno: Por que teremos de ir além da sustentabilidade”, tendo como orador Viriato Soromenho-Marques, professor catedrático na Universidade de Lisboa, membro da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia da Marinha, conselheiro especial da Fundação Oceano Azul, autor regular de comunicações nas áreas da filosofia, do ambiente e da União Europeia.

A par dos painéis, o programa inclui a realização de sessões de Filosofia para crianças das escolas e para o público em geral com Joana Rita Sousa, “filósofa, perguntóloga e mestre em filosofia para crianças”, oficinas sobre alimentação consciente, saudável e sustentável, com a Chef Cléo Martins, e uma feira do livro sobre filosofia.

“É um programa muito diversificado, sabemos que não é um projeto para massas, mas como dizia José Alberto Marques: «uma cidade só é grande se tiver acontecimentos pequenos». E este é um pequeno grande acontecimento para nós, que nos dá aqui também, não só algum elemento no que à política cultural diz respeito, mas é um festival em que continuamos a acreditar anualmente”, vincou Luís Dias, tendo indicado desde já o tema da edição de 2024.

“No próximo ano, por força das comemorações dos 50 anos do 25 de abril, a temática vai incidir nas questões em torno da liberdade, da democracia, dos valores e da ética, por força de tão importante momento de afirmação da nossa democracia”, concluiu.

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