A Feira Nacional da Agricultura/Feira do Ribatejo abriu este sábado, 6 de Junho, em Santarém, com os pequenos frutos no centro da edição deste ano e com mensagens dirigidas à necessidade de reforçar a disponibilidade de água, garantir mão-de-obra para o sector e valorizar o papel estratégico da agricultura na economia, na coesão territorial e na segurança alimentar.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, do secretário de Estado da Agricultura, de vários autarcas da região, deputados eleitos pelo círculo de Santarém, dirigentes associativos e representantes do sector agrícola.

Na abertura, Álvaro Mendonça e Moura, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, destacou a FNA como a “expressão máxima da produção agrícola e florestal” do país e valorizou a presença conjunta dos ministros da Agricultura e do Ambiente, considerando-a um sinal da necessidade de articulação entre políticas públicas determinantes para o futuro do sector.

O presidente da CAP apontou os pequenos frutos como exemplo da capacidade exportadora da agricultura portuguesa, lembrando que as exportações do sector cresceram de forma consistente na última década e atingiram cerca de 398 milhões de euros em 2025. Para Álvaro Mendonça e Moura, “o país tem de acompanhar esta ambição de exportar”, sendo indispensável assegurar dois factores que considerou decisivos: água e mão-de-obra.

A necessidade de trabalhadores estrangeiros, devidamente enquadrados e integrados, foi uma das notas fortes da intervenção do dirigente agrícola, que defendeu também maior rapidez nos investimentos em regadio e uma resposta pública mais robusta aos prejuízos causados por fenómenos climáticos extremos e pelo aumento dos custos de produção.

O presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite, sublinhou a importância da FNA para a afirmação de Santarém e da região, considerando que o certame é “um palco para a região e para o país”. O autarca valorizou ainda a presença dos dois ministros, entendendo-a como sinal do reconhecimento da agricultura enquanto sector estratégico.

João Teixeira Leite enquadrou a feira na nova realidade territorial do Oeste e Vale do Tejo, região que integra 44 concelhos e cerca de 800 mil habitantes, defendendo que o território tem uma oportunidade para reforçar a sua posição nos domínios da agricultura, inovação, economia e captação de investimento.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, centrou a intervenção na necessidade de aproximar as políticas ambientais, energéticas e agrícolas. A governante defendeu respostas integradas para os desafios colocados pelas alterações climáticas, pela gestão da água, pela floresta e pela resiliência dos territórios, num contexto em que a agricultura depende cada vez mais de soluções articuladas entre produção, sustentabilidade e recursos naturais.

Já o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, defendeu uma leitura mais ampla do sector, afirmando que “não há coesão territorial sem agricultura”. Para o governante, a agricultura deve ser entendida não apenas como produção de alimentos, mas também como economia, transformação, inovação, investigação e fixação de população.

José Manuel Fernandes destacou ainda a importância da segurança alimentar, lembrando que, durante a pandemia, “não faltou comida no prato”, e defendeu que o país deve valorizar melhor a modernização e capacidade de resposta dos agricultores. O ministro reconheceu, contudo, os desafios que continuam a marcar o sector, da escassez de mão-de-obra às alterações climáticas, passando pelos incêndios, custos de produção e necessidade de acelerar investimentos em água.

Na resposta ao problema da mão-de-obra, o ministro adiantou que o Governo está a trabalhar em alterações legislativas para permitir alojamento nas explorações agrícolas, com regras próprias, procurando criar condições para acolher trabalhadores necessários ao funcionamento das explorações.

A FNA 26 decorre até 14 de Junho no CNEMA, em Santarém, tendo como tema “O Poder dos Pequenos Frutos”, sector que inclui culturas como mirtilos, framboesas, amoras e morangos e que tem vindo a ganhar peso na produção agrícola nacional e nas exportações.

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