Feira Nacional da Cebola abriu terça-feira em Rio Maior e prolonga-se até domingo. Santana Dias defendeu a preservação das raízes agrícolas do certame, mas deixou claro que a autarquia pretende continuar a alargar a sua dimensão económica, gastronómica e cultural. “Não somos donos desta história. Somos seus depositários por algum tempo”, afirmou o presidente da Câmara.
A Feira Nacional da Cebola voltou a abrir portas esta terça-feira, 1 de Setembro, em Rio Maior, assinalando 304 anos de uma história que começou ligada à agricultura e ao comércio e que o município procura hoje conjugar com uma crescente dimensão económica, empresarial, gastronómica e cultural.
A FRIMOR 2026 decorre até domingo, 6 de Setembro, no Pavilhão Multiusos e na zona envolvente, reunindo ceboleiros e outros produtores agrícolas, empresas, associações, artesãos, restauração, produtos agroalimentares, vinhos, doçaria e animação. O programa inclui ainda concertos, com Os Vizinhos e Matias Damásio a protagonizarem as principais noites do fim-de-semana.
Na abertura do certame, o presidente da Câmara de Rio Maior, Filipe Santana Dias, colocou a história da Feira Nacional da Cebola no centro da sua intervenção, sublinhando que os mais de três séculos de existência representam simultaneamente uma herança e uma responsabilidade.
“Não somos donos desta história. Somos seus depositários por algum tempo. E temos a obrigação de cuidar dela”, afirmou o autarca, defendendo, contudo, que preservar a FRIMOR não significa mantê-la imutável. “Preservar é manter viva a essência, dando-lhe condições para acompanhar o seu tempo e chegar às gerações seguintes”, acrescentou.
Ceboleiros permanecem no centro da Feira
Apesar da transformação que a FRIMOR sofreu ao longo de mais de três séculos, Santana Dias fez questão de reafirmar o lugar dos agricultores, produtores e, particularmente, dos ceboleiros na identidade do certame.
“A Feira Nacional da Cebola existe porque houve homens e mulheres, famílias inteiras, que trabalharam a terra e fizeram da produção da cebola uma actividade profundamente ligada à história de Rio Maior e das suas freguesias vizinhas”, afirmou.
Para o presidente da Câmara, falar da FRIMOR sem falar dos ceboleiros seria esquecer “a própria razão de ser desta Feira”, que nasceu do trabalho agrícola, da necessidade de comercialização dos produtos e do encontro entre as populações.
Santana Dias aproveitou também a ocasião para chamar a atenção para a realidade que existe por detrás da produção agrícola, desde as horas de trabalho no campo ao conhecimento transmitido entre gerações, passando pela dependência das condições climatéricas e pelos riscos associados à actividade.
Num tempo em que a distância entre produtores e consumidores é cada vez maior, o autarca considera que certames como a FRIMOR desempenham também uma função de aproximação entre quem produz e quem compra. “A agricultura não pertence ao passado. A agricultura é presente. E será sempre indispensável ao nosso futuro”, sustentou.
A cebola continuará, por isso, a ocupar um lugar central no certame, “não apenas porque lhe dá o nome, mas porque lhe dá história, autenticidade e identidade”.
De feira agrícola a montra do concelho
A evolução da FRIMOR reflecte também as transformações verificadas no próprio concelho. A componente agrícola permanece, mas convive actualmente com a exposição empresarial e institucional, produtos agroalimentares, maquinaria agrícola, artesanato, gastronomia, vinhos, doçaria e licores, comércio e movimento associativo.
O Pão de Rio Maior volta igualmente a marcar presença, num espaço próprio, enquanto os produtores de vinho da região encontram no certame uma oportunidade de divulgação.
Santana Dias definiu a actual FRIMOR como uma “verdadeira montra de Rio Maior”, através da qual o concelho apresenta o que produz e a actividade desenvolvida pelas suas empresas, associações e produtores.
O presidente da Câmara salientou também o impacto económico dos milhares de visitantes que passam pela Feira, quer no comércio e na restauração, quer no alojamento e na promoção dos produtos locais.
“Quando o Município investe na FRIMOR, não está apenas a investir na realização de um evento”, afirmou. Para Santana Dias, esse investimento traduz-se igualmente na “promoção económica do concelho”, na dinamização da economia local e na criação de oportunidades para empresas, produtores e associações.
Obras obrigam a adaptar o recinto
A edição deste ano decorre num contexto particular, marcado pelos investimentos actualmente em curso no concelho e, em concreto, pela presença das instalações temporárias da unidade de saúde na zona habitualmente utilizada pela FRIMOR.
Santana Dias reconheceu que alguns dos investimentos públicos em curso provocam constrangimentos e obrigam à adaptação dos eventos municipais, considerando, porém, que essa situação não colocou em causa a realização da Feira Nacional da Cebola.
“Hoje, com as prioridades bem definidas, adaptamos uma excelente FRIMOR a poder coexistir com as instalações temporárias da nossa unidade de saúde”, afirmou.
O autarca admitiu que outros eventos poderão igualmente vir a ser condicionados temporariamente por obras e investimentos no concelho, defendendo que os constrangimentos serão ultrapassados sempre que estiver em causa a melhoria das condições oferecidas à população.
“Cebola de Ouro” desafia associações a criar novos pratos
Uma das novidades da edição de 2026 é o concurso “Cebola de Ouro – FRIMOR 2026”, criado para reforçar a ligação entre o produto que deu origem ao certame e a componente gastronómica que foi ganhando peso na Feira.
O desafio foi lançado às entidades do movimento associativo presentes na zona gastronómica, que foram convidadas a criar pratos nos quais a cebola desempenhe um papel de destaque.
A intenção, segundo Santana Dias, passa por recuperar receitas, estimular novas propostas e demonstrar que um produto tradicional pode continuar a proporcionar novas experiências gastronómicas.
“Queremos criatividade, queremos qualidade. Queremos recuperar receitas e descobrir outras novas”, afirmou o presidente da Câmara.
As receitas criadas no âmbito do concurso deverão ser posteriormente preservadas e divulgadas, numa tentativa de prolongar a iniciativa para além dos seis dias do certame e de incentivar a utilização da cebola na gastronomia local.
A aposta nos produtos do território estende-se ao espaço dedicado aos vinhos e ao showcooking, juntando produtos, restaurantes e produtores e utilizando a gastronomia como instrumento de promoção de Rio Maior.
Uma feira “de todos”
A dimensão alcançada pela FRIMOR ao longo dos anos não afasta, segundo o presidente da Câmara, a necessidade de manter o carácter comunitário do evento.
Santana Dias defendeu uma feira onde “o agricultor se deve reconhecer”, onde as empresas encontrem oportunidades, as associações tenham espaço, as freguesias estejam representadas e as famílias encontrem razões para permanecer no recinto.
“A FRIMOR pertence a Rio Maior. Pertence aos nossos produtores. Pertence aos nossos agricultores. Pertence às nossas freguesias. Pertence às nossas empresas. Pertence às nossas associações”, afirmou, estendendo essa pertença às sucessivas gerações que construíram e mantiveram o certame.
O autarca enquadrou ainda a Feira Nacional da Cebola na estratégia de promoção territorial do município, considerando que a capacidade de atrair visitantes constitui também uma oportunidade para dar a conhecer os produtos, a gastronomia, o comércio e as empresas do concelho.
A ambição, afirmou, é que Rio Maior seja reconhecido como “um território dinâmico, acolhedor, com identidade e com ambição”.
Os Vizinhos e Matias Damásio nas principais noites
A componente musical volta a assumir um lugar de destaque na FRIMOR. Quim Barreiros abriu o programa na terça-feira, seguindo-se João Carreira, na quarta-feira, e os Némanus, na noite de quinta-feira, todos com entrada gratuita.
As duas principais noites do fim-de-semana ficam reservadas para Os Vizinhos e Matias Damásio. Os Vizinhos actuam esta sexta-feira, 4 de Setembro, às 23h00, enquanto Matias Damásio sobe ao palco no sábado, dia 5, à mesma hora. Estes dois espectáculos têm entrada paga, com bilhetes anunciados a cinco euros por noite.
Até domingo, o público encontra ainda no recinto as áreas de exposição empresarial e agroalimentar, artesanato, maquinaria agrícola, vinhos e licores, doçaria, restauração, gastronomia regional, street food, showcooking e espaços de animação para as famílias.
A edição de 2026 acrescenta, assim, mais seis dias a uma história iniciada há 304 anos. Santana Dias deixou, na abertura, a ideia que pretende projectar para as próximas edições: modernizar e acrescentar novas valências sem afastar a FRIMOR das suas origens.
“Podemos crescer. Mas nunca podemos esquecer aquilo que está na origem de tudo isto: a nossa terra e as nossas gentes”, afirmou.



