A Associação Etnográfica “Gentes de Almeirim” levou a efeito no passado sábado, dia 31 de Janeiro, um serão cultural dedicado ao tema “Entre a Vinha e o Olival”, no Cine-Teatro de Almeirim, confortável espaço cultural que estava repleto de um público interessado e muito caloroso. Entre a plateia estavam o actual e o antigo presidentes da Câmara Municipal de Almeirim, respectivamente Joaquim Catalão e Pedro Ribeiro, para além de outros autarcas do Município e da Junta de Freguesia.
Este espectáculo decorre todos os anos em data próxima do aniversário da Associação “Gentes de Almeirim”, ocorrido a 2 de Fevereiro, e conta também com a participação de um outro grupo de folclore, que nesta edição foi a categorizada Rusga de S. Vicente, de Braga.
A Rusga de São Vicente de Braga dedica-se à recolha, estudo e divulgação da música e danças tradicionais do Baixo Minho e desempenha um papel importante na comunidade, promovendo a cultura popular através de espectáculos, exposições e outras iniciativas. O grupo tem como objectivo divulgar e partilhar a riqueza da música e danças tradicionais do Baixo Minho com diferentes públicos, contribuindo para a sua valorização e continuidade.
O que, convém que se diga, aqui cumpriu na plenitude com a apresentação de alguns quadros etnográficos, desde a evocação da procissão em honra a S. Vicente e a Nossa Senhora da Luz, à lembrança de antigos pregões e à exibição de algumas danças, o que acontecia habitualmente depois das manifestações religiosas, no terreiro ou nas romarias.
Por sua vez, o grupo aniversariante apresentou um quadro etnográfico relativo aos trabalhos da apanha da azeitona e das podas das videiras, trabalhos que outrora coincidiam em boa parte do final de um ano e do início do seguinte, enriquencendo esta reconstituição com o linguajar próprio dos camponeses de Almeirim, onde não faltava alguma brejeirice à mistura.
Terminada a colheita da azeitona havia um jantar oferecido pelos “patrões”, seguido de animado bailarico, pois o trabalho estava acabado, a barriga estava cheia e a jorna estava na aljibeira, o que era essencial para enfrentar o rigor do inverno que ainda estava para vir.
Foi um serão muito agradável e elucidativo da nossa cultura etnográfica e folclórica, pelo que a Associação “Gentes de Almeirim” está duplamente de parabéns, seja pelo seu 14.º aniversário seja também pelo mérito desta iniciativa. Parabéns.
