Foto: Município de Golegã

O presidente da Câmara da Golegã, António Camilo, estimou hoje que os prejuízos provocados pelo mau tempo no concelho ultrapassam um milhão de euros, valor ainda provisório e que não inclui danos agrícolas nem estragos em habitações particulares.

Em declarações à Lusa, o autarca afirmou que “há prejuízos incalculáveis”, sobretudo em vias municipais e rurais que permanecem submersas, afetando particularmente agricultores.

“As estradas municipais e mais rurais são as que mais nos preocupam, porque muitas continuam tapadas com água”, disse.

Segundo António Camilo, as primeiras estimativas feitas após a tempestade “Kristin”, no final de janeiro, apontavam para cerca de 200 mil euros em danos, incluindo estragos nas piscinas municipais, onde “caiu um vidro grande, parte do telhado e surgiram fissuras”.

Contudo, a sucessão de tempestades que se seguiu agravou o cenário.

“De vinte e tal mil euros ou trinta mil euros passou para cem mil nas piscinas. Depois, somando os restantes danos, o cálculo de 200 mil euros disparou. Agora temos prejuízos incalculáveis nas estruturas e nas habitações, sem contar com os agrícolas”, detalhou.

O autarca explicou que a autarquia está ainda a consolidar o levantamento que enviará à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), incluindo estragos em infraestruturas nacionais, como a Estrada Nacional que dá acesso à ponte da Chamusca, cujo estado classificou como “muito complicado”.

Entre as infraestruturas danificadas, o presidente destacou ainda a ponte da Cardiga, dois pavilhões municipais, as piscinas, a ponte da Broa e várias vias municipais.

No caso da ponte da Broa, existem fissuras “não alarmantes”, mas que obrigam a avaliação técnica.

Além dos danos estruturais, existem impactos significativos na agricultura local.

“Tivemos uma reunião com agricultores e há plantações que não chegaram a ser feitas e produtos hortícolas, como brócolos, que ficaram debaixo de água”, referiu, considerando que esses prejuízos são, para já, difíceis de estimar.

António Camilo alertou que o município “não tem capacidade financeira” para suportar sozinho as reconstruções, nomeadamente a conclusão do IC3 entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha e uma nova travessia sobre o Tejo, defendendo investimentos do Governo e da Infraestruturas de Portugal.

“É impossível o município conseguir fazer face a tudo isto”, sublinhou.

O responsável disse ainda que o levantamento final dos danos só deverá ficar concluído quando a água baixar em todas as zonas afetadas, o que permitirá uma avaliação mais exata das vias rurais e municipais ainda inacessíveis.

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