O Governo considerou este sábado, 9 de Janeiro, que há um “grande consenso” em relação ao regresso a um confinamento generalizado, para mitigar a propagação da pandemia no país, e sublinhou que a intenção é decretar as medidas “o mais cedo possível”.

“Aquilo que podemos destacar destas audições [entre o Governo e os partidos com representação parlamentar] é um grande consenso de que, face aos números que temos verificado, é de facto necessário tomar medidas adicionais”, sublinhou a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, em conferência de imprensa depois da última reunião, entre o BE e o executivo liderado pelo socialista António Costa, em São Bento.

A governante não adiantou quaisquer medidas que o Governo está a ponderar para a renovação do estado de emergência, uma vez que ainda é necessário ouvir os epidemiologistas e especialistas em saúde pública na reunião que vai decorrer na terça-feira nas instalações do Infarmed.

“Ouviremos novamente os especialistas […] para confirmar que os dados que temos nos últimos quatro dias – números na ordem dos 10.000 casos por dia, que se confirmarão hoje – confirmam esta tendência e quais as melhores medidas, as medidas mais adequadas a tomar agora”, explicou a ministra.

Face a este aumento elevado no número de infeções – Portugal atingiu esta semana por duas vezes mais de 10.000 contágios diários –, o Governo pretende ser o mais célere possível a aprovar a renovação do estado de emergência.

“O Conselho de Ministros reunir-se-á imediatamente após a aprovação por parte da Assembleia da República, e comunicaremos e tomaremos as medidas de forma a que elas se possam aplicar o mais cedo possível”, sublinhou.

Entretanto, o Governo apela à população para se resguardar e não ficar “à espera que saia o novo decreto”, relembrando que é preciso reduzir os contactos ao estritamente essencial.

Mariana Vieira da Silva referiu também que se medidas mais restritivas tivessem sido tomadas há uma semana, teriam sido tomadas “com base em informação incompleta”, razão pela qual é “fundamental ouvir na terça-feira os peritos”.

Questionada sobre a necessidade de apoios para a população na sequência de um novo confinamento geral que, à semelhança do que aconteceu em março e abril de 2020, poderá implicar o encerramento de vários setores de atividade, a ministra respondeu que “desde o início o Governo tem respondido com novas medidas”.

“Uma coisa é procurar sempre melhorar a qualidade e capacidade de foco dos apoios. Outra coisa é dizermos que não tem havido apoios”, continuou a governante socialistas, elencando, de seguida, vários apoios, como, por exemplo, o ‘lay-off’ simplificado e o apoio à retoma.

Em Portugal, morreram 7.701 pessoas dos 476.187 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

O estado de emergência decretado em 09 de novembro para combater a pandemia foi renovado com efeitos desde as 00:00 de 08 de janeiro, até dia 15.

Os partidos com representação parlamentar estiveram reunidos na sexta-feira e hoje com o primeiro-ministro, em São Bento.

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