Foto de arquivo
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Os trabalhadores da empresa Nobre, em Rio Maior, cumprem hoje a 19.ª greve dos últimos dois anos face à recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo, segundo o sindicato, com uma adesão na ordem dos 87%.

“A adesão à greve foi muito boa, com cerca de 87%”, disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB), Diogo Lopes, ao final da manhã de greve na Empresa Nobre, em Rio Maior, no distrito de Santarém.

“Os trabalhadores estão unidos e prontos para levar para a frente a sua luta e as suas reivindicações, porque é mais que justo e necessário”, disse à agência Lusa a delegada da União dos Sindicatos, Inês Santos.

A greve convocada pelo SINTAB é a 19.ª realizada desde o início de 2023, e a segunda deste ano, face à indisponibilidade da empresa para negociar o caderno reivindicativo apresentado pelos sindicatos.

“Ficou decidido no primeiro plenário do ano que continuariam a luta com uma greve por mês, à semelhança do ano passado, até a empresa ceder às reivindicações, especialmente o aumento dos salários, que é a reivindicação mais forte e necessária”, disse a sindicalista.

Apesar de já este ano ter havido uma reunião com a administração da empresa, em que foi apresentado o caderno reivindicativo para 2025, a direção da Nobre informou o sindicato de que “não está disponível este ano para qualquer negociação”, pelo que os trabalhadores mantiveram a decisão de realizar uma greve todos os meses.

Os trabalhadores contestavam, em 2024, a falta de resposta ao caderno reivindicativo em que exigiam um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.

O caderno reivindicativo para 2025 mantém a exigência de um aumento salarial de 150 euros, e reivindicam “um aumento superior no subsídio de alimentação e uma alteração no valor das diuturnidades, que a empresa tinha deixado de pagar em 2016, quando houve a caducidade do contrato e voltou a implementar o ano passado, mas não nos valores que deviam ser praticados”, explicou à Lusa o dirigente do SINTAB, Diogo Lopes.

Os trabalhadores reclamam ainda o aumento do subsídio de refeição dos atuais 5,50 euros para oito euros e, no caso da diuturnidades, um aumento de cerca de cinco euros.

Contactada pela Lusa a Nobre Alimentação confirmou estar a “decorrer uma paralisação por parte dos colaboradores da fábrica, impactando a atividade diária da fábrica”, mas não precisou qual o índice de adesão.

A empresa refirmou ainda estar atenta às necessidades dos colaboradores e manter “reuniões frequentes e construtivas com os sindicatos para abordar as questões em causa de forma positiva e transparente”.

Na resposta enviada por e-mail a Nobre Alimentação reitera “o compromisso em dar continuidade a este diálogo regular, procurando, em conjunto, encontrar o caminho mais equilibrado para o futuro”.

De acordo com Diogo Lopes hoje ficou decidida uma nova greve para o dia 02 de maio e o SINTAB “está em contacto com o sindicato em Espanha para organizar neste país uma ação de luta, no dia 28 de maio, aquando da realização do comité europeu da empresa”.

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