No âmbito do restauro e da conservação ainda se associa o “especializado” ao “dispendioso” alertaram responsáveis nas Jornadas dos Bens Culturais da Igreja, que decorreram no Santuário Nacional de Cristo Rei, realizadas no passado fim de semana em Almada, no tema da conservação e restauro.

As más escolhas resultam por vezes em opções por empresas sem preparação que acabam por provocar mais dano no património artístico ao invés de realizarem verdadeiras intervenções de restauro, explicou a responsável pelo Museu Diocesano de Santarém.

Eva Neves apresentou o exemplo de orçamentos sem rigor que vão introduzindo agravamentos nos custos e propondo trabalhos extra sem qualquer avaliação técnica especializada, isto resulta em elevadas quantias pagas pelas comunidades cristãs que acabam por danificar o património em vez de o restaurar.

“Há intervenções que continuam a ser realizadas contra todas as recomendações éticas e competência profissional” indica esta responsável do património artístico e religioso da Diocese de Santarém, e reconhece que persiste por vezes uma “mentalidade de quem quer ver o património mudado, com uma nova cor, com mais brilho, ao gosto da comunidade, da comissão de obras ou do pároco”.

Eva Neves considera que “há trabalho não habilitado que destrói património e que resulta extremamente caro”, ou seja, “há paróquias que pagam para destruir património” reconhece.

Fátima Eusébio, responsável pelo Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja lembra que o recurso a empresas especializadas em conservação e restauro não resulta obrigatoriamente mais caro.

“Já assisti à operação de redouramento total de um retábulo que não necessitava de qualquer douramento, esta intervenção ficou necessariamente mais cara do que uma intervenção qualificada”, afirma a responsável pelos Bens Culturais da Igreja.

Esta responsável alerta ainda para o recurso a materiais que a médio prazo resultam em danos que levam a novas intervenções ainda mais dispendiosas.

Fátima Eusébio destaca a experiência positiva de diversas comunidades em que a opção por intervenções especializadas, levou à mobilização para o restauro do património e numa “maior unidade entre todos”.

As segundas Jornadas da Pastoral dos Bens Culturais da Igreja quiseram chamar a atenção para a conservação e restauro dos bens culturais da Igreja, por se registarem ainda contingências e fragilidades que reclamam mais formação e sensibilidade pelos que, nas comunidades cristãs, têm a responsabilidade de zelar pelo património.

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