Hélder Martins: “O mercado português sempre foi uma coisa que me assustou”

Hélder Martins, natural de Coruche, vive actualmente no Brasil. Premiado Director de Fotografia e filmmaker que vive em Bauru, São Paulo. Estudou cinema na ‘New York Film Academy’ e na Academia Internacional de Cinema de São Paulo. Fez Direcção de Fotografia de diversas Longas Metragens e Documentários que foram exibidos na TV e participaram em festivais brasileiros como o Festival de Brasília, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival de Gramado, o ‘É tudo Verdade’ e festivais internacionais como o Festival Internacional Fronteiras, Festival de Cinema Los Angeles, Festival Internacional Del Nuevo Cine Latino-Americano em Havana, Cineteca Nacional do México, Festival FILMAR (Genebra), Festin em Lisboa. Destaque para o filme “Fome” que entrou em cartaz em 2016 em 10 cidades de sete estados brasileiros.

Quem é o Hélder Martins e o que faz profissionalmente?

Empreendedor, pai e apaixonado por inovações (e futebol). Sou director de fotografia, faço testes de equipamentos para diversas marcas como Sony, Canon, Gudsen Moza e Aputure.

O que o levou a optar pelo Brasil para viver e exercer a sua actividade?

Foi principalmente a falta de opções no mercado português e não conhecer jovens que quisessem arriscar no novo formato de vídeo que estava a chegar, o vídeo HD e adaptadores e câmeras com lentes intercambiáveis.

Quando terminei a formação na ‘New York Film Academy’  fiquei cheio de projectos para cinema, vídeo clipes e outros e na altura, em 2006, não conheci  ninguém que acreditasse no cinema digital, por outro lado, vi no Brasil, em fóruns, muitas pessoas com a mesma vontade que eu. Outro factor foi sem dúvida a língua.

Como realizador, tem tido reconhecimento e destaque nos filmes de casamento. É essa a sua paixão?

A minha chegada ao mercado de vídeos foi por vídeos de casamento, primeiro editando para algumas produtoras de Aveiro e depois também como operador de câmeras. Fiz mais tarde alguns DVDs para bandas.

No Brasil só dois anos depois de chegar, quando vim para Bauru, a 350 quilómetros de São Paulo é que voltei a trabalhar com vídeos de casamento para ajudar na renda e fiquei a fazer vídeos de casamento até 2013, quando me passei a dedicar apenas a cinema e alguns programas de tv como director de fotografia ou operador de câmera. A minha paixão é o documentário.

Como se iniciou o gosto pela realização?

O meu gosto por vídeo vem desde muito novo, o meu pai tinha uma loja de electrodomésticos e sempre trabalhei com ele na parte das televisões, vídeos e câmeras. Com isso tive acesso a diversos materiais que davam para fazer transmissão de vídeo, o que me despertou o gosto pela electrónica.

Junto com um amigo que vivia a uns 500 metros da minha casa, iniciámos a transmissão de tv pirata onde a maior parte das vezes usámos como Skype. Gravava um vídeo  a falar nalguma coisa, em VHS e transmitia para ele e ele enviava para mim a resposta pelo transmissor dele.

Como tinha algum conhecimento de electrónica montei o meu primeiro estúdio com uns 14 anos juntando dois vídeos para ler e um para gravar  para fazer os meus vídeo clipes caseiros. O meu gosto vem dessa fase, ainda adolescente, em que fazia todas as partes de um vídeo, desde a ideia no papel até à entrega ao cliente na transmissão. Esse gosto pelo conhecimento de toda a área em que esteja a trabalhar tem-me acompanhado toda a vida, não só para saber como se faz mas também para dar valor a quem o faz.

Além da realização tem vários projectos ligados ao cinema, ao vídeo e ao vídeo de casamentos, como é o caso do site film makers. De que trata esse projecto?

A página/blog Fillmakers vem na sequência da busca pela minha procura de conhecimento sobre as câmeras HD e as câmeras com lentes intercambiáveis (DSLR) pois como um dos pioneiros no uso dessas câmeras passei a receber centenas de emails pedindo informações e ajuda, por isso a forma mais fácil seria abrir um blog, na altura o HDSLR, com as informações e os vídeos sobre esse novo mercado. Há três anos passámos a ter diversas câmeras de vídeo com qualidade igual ou superior às DSLR por isso, para não limitar o público, alterei o nome para Filmmakers

É um dos principais organizadores do maior congresso internacional sobre produção de filmes de casamento – o Wedding Select. Fale-nos um pouco sobre o mesmo…

O congresso Wedding Select, que vai para o 5ª ano, surgiu na sequência de uns 10 workshops que organizei para algumas das melhores produtoras no Brasil. Vi que quem participava nos workshops adorava bastante o que essa pessoa lhe tinha passado mas ficava praticamente a fazer um trabalho igual ao do palestrante, por isso resolvi chamar oito amigos que eram as maiores referências no Brasil nos vídeos de casamento e organizei o primeiro congresso. Assim conseguiram ver diversas formas de trabalhar , alguns até de forma oposta de outros, o que também dá certo .

A fotografia também faz parte do seu portfólio, tendo ganho recentemente o prémio de melhor director de fotografia do Cinejardim 2017. O que mais gosta de fotografar?

Esse foi meu segundo prémio como Director de Fotografia com o filme Fome que já participou num festival em Lisboa.

A minha preferência de trabalho de fotografia é o documentário e nisso o vídeo de casamento ajuda muito, muitas pessoas falam em filme de casamento, mas o casamento bem feito é um documentário pois ao contrário do cinema não estamos com actores, não temos hipóteses de errar e pedir para repetir nem podemos pedir ao casal para alterar o dia porque está muito sol ou muita chuva e esse tempo que trabalhei com vídeos de casamento ajudou-me muito para os trabalhos documentais e até mesmo para filmes de baixo orçamento onde temos que, diversas vezes, arranjar uma solução de um momento para o outro. Tenho um director que só me chama para esses trabalhos de filmes de guerrilha.

Tem trabalhado no Brasil e nos Estados Unidos da América. Que trabalhos mais destaca na sua carreira?

Os meus trabalhos principais têm sido feitos no Brasil com destaque para o longa metragem Fome que passou em diversos festivais importantes por todo mundo e esteve em diversas salas de cinema no Brasil e canais de TV.

Os trabalhos nos Estados Unidos foram de reportagens e comerciais.

E em Portugal, já realizou alguma produção?

Em Portugal, infelizmente ainda não. Tenho um projecto de documentário e de um filme para fazer a direcção de fotografia com um director brasileiro.

Como vê o mercado, nomeadamente o dos filmes e fotografia de casamento em Portugal?

O mercado português sempre foi uma coisa que me assustou, olhava para Portugal tínhamos lançado uns cinco filmes por ano enquanto no Brasil se produziam uns 100. Por exemplo, no ano passado no Brasil foram lançados 158 filmes enquanto em Portugal penso que uns 14 filmes.

Quanto ao mercado de vídeos de casamento tem estado cada vez melhor  em termos de qualidade, já tentei trazer duas produtoras ao meu congresso mas estavam trabalhos agendados para o período.

Natural de Coruche, que ligações mantém com a vila ribatejana e com a própria região?

Embora tenha ido viver para Lisboa com dois anos, praticamente todos os fins-de-semana passava em Coruche, mais precisamente na Fajarda onde tenho a maior parte da minha família e onde tenho primos que são praticamente como irmãos . Aos 10 anos fui viver para Aveiro mas mesmo assim vínhamos diversas vezes por ano, principalmente na festa da Nossa Senhora do Castelo.

Há onze anos no Brasil, só em três ocasiões voltei a Portugal, uma delas há dois anos. Voltei e levei parte da família da minha esposa e a minha filha para ser baptizada e para que de alguma forma ela tenha uma ligação a Coruche.

Que conselho dá a quem queira iniciar-se no mundo das filmagens de casamento e da realização em geral?

O primeiro conselho que posso dar é que estude bastante, hoje em dia a internet está cheia de óptimas referências que o podem inspirar e ajudem a identificar qual o seu estilo. Aposte no seu olhar, porque é isso que nós vendemos.

Onde se pode encontrar o trabalho desenvolvido pelo Hélder Martins?

O meu trabalho cinematográfico está bem espalhado por diversas produtoras sendo uma delas a Bela Filmes e em www.filmmakers.pro.br, www.weddingselect.net e www.filmmakers.tv.br.

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