Os historiadores Teresa Lopes Moreira, administradora do Jornal Correio do Ribatejo e José Raimundo Noras, filho do ex-presidente da Câmara Municipal de Santarém, participam no próximo dia 17 de Outubro, no Congresso Internacional História, Identidade e Património da(s) Polícia(s), que se realiza no Instituto Superior de Ciências Policiais e de Segurança Interna, em Lisboa.

Entre as 10h15 e as 12h15 os dois historiadores vão apresentar as suas comunicações. José Raimundo Noras apresenta a comunicação “José de La Puente Amat: de agente secreto de Portugal a mentor de uma reforma da polícia portuguesa” e Teresa Lopes Moreira irá apresentar a comunicação “A doutrina da revista “Polícia Portuguesa” entre 1970 e 1974”.

Resumo das apresentações:

A doutrina da revista “Polícia Portuguesa” entre 1970 e 1974 – MARIA TERESA MOREIRA (Instituto de História Contemporânea da NOVA-FCSH) RESUMO: A revista “Polícia Portuguesa” era uma publicação bimestral, órgão do Comando-Geral da P.S.P., que começou a ser publicada em Maio / Junho de 1937, numa primeira série que terminou no Verão Quente de 1975. Nesta comunicação pretende analisar-se “a doutrina dos artigos” que, segundo o director e editor coronel Henrique de Sousa Guerra, eram da “responsabilidade dos autores”, essencialmente graduados. O peso do Estado Novo que assentava no poder das forças de segurança assim como nas mensagens da Igreja Católica que marcavam o ideário enviado aos agentes mais novos. O desgaste da Guerra Colonial, na qual participaram muitos agentes da P.S.P. também mereceu destaque ao relembrar “os nossos heróis”, ou as críticas aos países opositores do regime como a “Carta à senhora D. Suécia”, redigida pelo chefe Amaral, em Maio / Junho de 1970. Neste período, a corporação recebeu as suas primeiras agentes apresentadas como factores de modernização, percebendo-se que a igualdade de sexos estava ainda longínqua

José de La Puente Amat: de agente secreto de Portugal a mentor de uma reforma da polícia portuguesa – JOSÉ RAIMUNDO NORAS RESUMO: Em Outubro de 1911 o republicano José Relvas foi nomeado ministro plenipotênciário de Portugal em Madrid. Para além da oposição declarada de membros da família real espanhola um dos principais problemas que enfrentou foi a questão dos conspiradores monárquicos portugueses exilados nesse país. Coordenados por Paiva Couceiros os “emigrantes políticos” preparam várias incursões a partir de território espanhol, num clima conflitualidade e de desconfiança o qual poderia ter originado uma nova “guerra ibérica”, como alguns sectores de parte a parte pretenderiam. O “embaixador” José Relvas contratou o “serviço secreto” de José de Lapuente Amat (?-?) antigo polícia espanhol de quem temos poucas informações biográficas. Lapuente Amat elaborou dezenas de relatórios secretos de vigilância e deve continuado ao serviço da Legação até cerca 1918. A amizade com José Relvas durou toda a vida de ambos. Para além da abordagem biográfica propomos reflectir sobre a organização dos “serviços de informações” associados a uma componente policial neste período. Em data ainda imprecisa como ao antigo comissário e “conselheiro policial” espanhol Casal de Nis (?- ?) fez chegar a José Relvas um documento para a reorganização das forças policiais portuguesas com 15 base na experiência de ambos em Espanha. Esta proposta foi extremamente detalhada não apenas de um ponto de vista jurídico, a configuração das hierarquias, como também da disposição dos contingentes policiais no território organizado por distritos. É possível que este documento tem sido produzido logo em 1912/13, como também mais tarde. De qualquer modo, propomos uma análise comparativa entre esta proposta de origem espanhola a reforma das forças polícias empreendida por José Relvas, como Ministro do Interior, em 1919.

Apresentação do congresso:

Ao longo da história, as instituições policiais têm assumido uma inquestionável relevância. Actuando em contextos e regimes variados, as transformações nos modelos e aparelhos policiais sucederam-se, designadamente no que respeita ao seu papel na sociedade e às suas formas de actuação.

Estudar a história da (s) Polícia (s), olhando para o percurso das diferentes forças policiais no tempo, para o seu património, bem como para a definição de modelos policiais e suas alterações, permite-nos uma melhor compreensão não só dos períodos históricos em causa, mas também de outras instituições e actores sociais.

O estudo da (s) Polícia (s) exige, por isso, uma análise das diferentes conjunturas políticas, sociais, económicas e institucionais onde ela opera e se cruza com as problemáticas emergentes. Em paralelo, importa compreender a sua relação com as populações e com os diferentes órgãos de Poder, assim como também com outras questões das quais é indissociável: a segurança pública, o controlo social, o crime, entre outras.

Partindo de uma perspectiva histórica, mas procurando uma abordagem colaborativa, interdisciplinar e internacional, este Congresso pretende promover o debate crítico sobre as instituições policiais em diferentes épocas históricas, bem como sobre o seu património e a evolução da sua identidade.

Leia também...

Incêndio em restaurante no W Shopping

Um incêndio deflagrou esta noite, pelas 22h21, no W Shopping, na zona da restauração e foi prontamente combatido pelas corporações da cidade. Depois do…

Piscinas ao ar livre sujeitas ao regime das praias

As piscinas ao ar livre vão estar sujeitas, “com as necessárias adaptações”, às regras de ocupação e utilização das praias durante a época balnear,…

Autarcas de Constância pedem reversão dos CTT para a esfera pública

A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade uma moção na qual se pede a reversão dos CTT para a esfera pública, tendo os…

ProToiro pede ao PR que vete diploma que dita 23% de IVA para touradas

A ProToiro, Federação Portuguesa de Tauromaquia vai pedir ao Presidente da República que vete o diploma que dita a subida de 6% para 23%…