No ‘Ponto final’ da passada semana tinha prometido abordar a passagem de Portugal pelo Mundial que termina domingo, mas o futebol não é tudo na vida e chegou-nos a triste notícia da morte de Joaquim Carneiro Gomes, aos 83 anos de idade. Foi um profissional marcante na programação da Emissora Católica Portuguesa, com destaque especial nas manhãs do lendário programa ‘Despertar’.

Como a memória, para muitos, está pela hora da morte, deixo aqui, nestas palavras que vos escrevo, uma simples, mas em meu entender merecida homenagem ao repórter da Renascença (RR) que muito ajudou (outros houve) a dar expressão ao Festival Nacional de Gastronomia (FNG) de Santarém que acompanhou durante largos anos.

Despertávamos a ouvi-lo, manhã bem cedo, a partir da Casa do Campino, para as primeiras intervenções do dia enquanto repórter residente no Festival.

Um repórter radiofónico que deixa saudades e uma marca muito própria. Atento, perspicaz, conhecedor das tradições locais, era um comunicador nato, em Santarém ou nas ruas de Lisboa onde assinava os seus famosos “bilhetes postais sonoros” (como Sala os designava) percorrendo avenidas e ruelas ao encontro das pessoas da cidade.

Fez milhares de quilómetros pelo país, que conhecia como as palmas das suas mãos, a promover as suas mais ancestrais tradições.

Carneiro Gomes viveu num tempo onde a informação não estava tão disponível como agora. Ainda sem redes sociais que nos dão as estórias de bandeja, era o repórter que as tinha de descobrir e ir ao seu encontro, obrigando-o a percorrer o país de uma ponta à outra.

Era o que dizia, mas muitas vezes mais como o dizia que o fez ganhar notoriedade e, volto ao princípio deste texto, ainda sem os influenciadores dos nossos dias, “vendeu” bem o FNG ao seu vasto auditório e foi responsável pela vinda a Santarém de milhares de pessoas que chegavam para constatar no local o que acabavam de ouvir pela rádio, enfeitiçados pelo saber dizer de Carneiro Gomes.

Trabalhei a seu lado em muitos Festivais e guardo para mim dezenas de estórias que não cabem nesta simples coluna de homenagem, mas cabem na memória que ainda consigo ter de pessoas que merecem o nosso respeito e que estiveram em Santarém para ajudar a engradecer projectos que chegaram a eventos nacionais muito devido ao trabalho e empenho de repórteres como o que agora se despediu de todos nós, pelo menos daqueles que reconhecem a qualidade do seu trabalho.

Se não houver mais nenhum imprevisto vou tentar abordar o Mundial já a saber o resultado do França – Argentina da final que a FIFA quis, desde que começou a rolar a bola. Se estiver errado, as minhas desculpas aos espanhóis, aos ingleses e a quem me lê, semanalmente, nesta breve e despretensiosa coluna.

 

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