José Guilherme Paradiz, fundador da Rádio Pernes, faleceu ao início da noite do passado sábado, dia 28 de Fevereiro.

A Rádio Pernes abriu-me as suas portas a 3 de Janeiro de 1996 até 31 de Janeiro de 1999, onde exerci a função de director de informação durante três anos e um mês. Estive por lá até assumir por inteiro o Jornal onde vos escrevo. Nesse período de tempo lidei diariamente com José Paradiz a quem chamávamos ‘chefe’, sempre no bom sentido da liderança que ele representava para aquela família.

Era um contador de histórias por excelência. O Ultramar marcou-o muito, mas foi lá que conheceu alguns dos nomes da rádio do momento, como Alice Cruz, Emídio Rangel, Jorge Perestrelo ou Rui Romano.

Com orgulho lembrava-nos as emissões piratas de televisão, entre muitas outras estórias vanguardistas de quem vivia bem à frente do seu tempo.

Antes do 25 de Abril, chegou a ser perseguido pela PIDE pela colorida ‘concorrência’ à televisão cinzenta do regime. Irritava-o o monopólio das televisões em Portugal e a Rádio era a menina dos seus olhos, primeiro a sua Paradiz, que antecipou em 18 anos a existência de emissoras locais piratas em Portugal, até à Rádio Pernes, uma verdadeira instituição que era ouvida e respeitada até à fronteira com Espanha.

A Rádio Pernes, uma marca do concelho de Santarém, esteve no ar durante quase quatro décadas, até 2017, ano em que foi vendida, com muita pena minha, à cadeia Record que apenas queria a frequência que nunca mais esqueci: 101.7 FM.

Homem com profundos conhecimentos de Rádio e Televisão, destacou-se, sobretudo, pela sua elevada competência técnica no avaliar da qualidade do som que saía dos emissores, o que era, para si, uma constante preocupação.

A Junta de Freguesia de Pernes condecorou-o, merecidamente, com a Medalha de Mérito da Freguesia, em cerimónia realizada a 25 de Abril de 2024.

José Guilherme Paradiz foi um empresário da Comunicação Social muito importante para muitos nomes que hoje ocupam lugares de destaque neste meio e não esquecem as suas origens.

Homem de enorme coração, emocionava-se profundamente com as injustiças deste Mundo, teve uma vida preenchida e sempre ligada à sua Rádio, desde os tempos das emissões piratas até à sua legalização, em 1980, e posteriormente, com uma colaboração muito regular em diversos programas de autor onde fazia serviço público ao serviço de uma vasta comunidade que o ouvia, religiosamente.

Deixo neste texto o meu profundo agradecimento a José Paradiz por me ter permitido fazer notícias na sua Rádio. Uma Rádio sempre próxima das pessoas e com uma forte ligação à terra.

Bem-haja José Guilherme Paradiz e o meu obrigado por tudo.

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