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É tempo de Feira. Uns, recordam-na ao sabor de um Ribatejo que ainda guardam na memória. Para outros, bem mais novos, só o hoje conta. Vivem a pressa do acontece onde fundem o ontem com o amanhã, no momento presente, e só nesse que a Feira lhes oferece.

Da ideia de Feira Franca, da qual este Jornal já falava em 1925, já poucos se lembram. Da primeira de 71 edições, idem. “Somos a memória que temos…” A edição deste ano, inspira-se no tema “pequenos frutos” – mirtilos, morangos, framboesas e amoras – amores a uma fileira em crescimento, com peso económico e uma ligação cada vez mais directa aos hábitos de consumo, até porque a esmagadora maioria de quem visita a FNA não são agricultores são sobretudo consumidores…

Trata-se de um sector que representa já cerca de 400 milhões de euros e que se insere num universo mais vasto das frutas, hortícolas e flores, cujas exportações ultrapassaram os 2,6 mil milhões de euros.

Os frutos podem muito bem ser pequenos, mas a ambição de quem organiza o certame é bem grande. Na apresentação do evento, a administração do CNEMA garantiu que “as naves estão cheias” e que, inclusivamente, tiveram de “recusar alguns pedidos para estarem dentro das naves”.

Ao lado da dimensão empresarial que a Feira diz ter, a edição deste ano ganha também uma leitura territorial mais alargada.

À presença habitual da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo junta-se a participação da CIM Médio Tejo e da CIM Oeste, dando expressão à nova NUT II Oeste e Vale do Tejo, num sector – a agricultura – que cruza este território alargado a 34 municípios que têm a feliz ambição de crescer em conjunto, numa nova escala.

Na conferência de Imprensa de apresentação da FNA26, o presidente da Câmara de Santarém destacou bem a necessidade de não se cair na tentação de passar uma esponja sobre as tradições rurais e a cultura ribatejana. Sublinhou ainda a necessidade de a Feira continuar a olhar o mundo rural assente na trilogia “cavalo, touro e campino”, o que no certame tem vindo a perder força.

É que, como afirmou, se os scalabitanos têm o “dever moral” de viver a Feira com entusiasmo, é bom que quem a organiza tenha também o dever moral de não esquecer a sua génese.

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