O dispositivo para combate a incêndios florestais no distrito de Santarém conta este ano com 715 operacionais, 425 dos quais bombeiros, 167 veículos e três helicópteros de ataque inicial, sendo “muito semelhante” ao de 2017.

O Comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Santarém, Mário Silvestre, disse à Lusa que o plano operacional distrital tem uma “doutrina já enraizada”, marcada por “mobilizações iniciais bastante musculadas do ponto de vista do ataque inicial”, filosofia que se vai manter.

Em 2017, o distrito de Santarém registou 1.421 ocorrências, tendo a taxa de resolução no ataque inicial (até aos 90 minutos) sido de 94,16 por cento e a área ardida atingido os 19 mil hectares.

Contudo, num só dia (07 de Julho), o dispositivo teve que responder a 25 incêndios, 15 deles ocorridos entre as 14h00 e as 18h00.

“Não há sistema que resista”, afirmou Mário Silvestre, adiantando que uma das estratégias adoptadas no distrito de Santarém tem sido o “balanceamento de meios”. Ou seja, “não nos ficamos por uma triangulação com três corpos de bombeiros. Isso é o mínimo”, disse, sublinhando que, feita a avaliação do grau de risco da zona onde se dá a ocorrência, são enviados meios de outras zonas do distrito menos afectadas para “ganhar alguma proximidade”, permitindo ou “o reforço naquele teatro de operações” ou a capacidade de resposta caso haja outra ocorrência nas imediações.

Segundo o plano operacional para o distrito de Santarém, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, os três helicópteros de ataque inicial estão posicionados em Pernes (Santarém), Sardoal e Ferreira do Zêzere.

O sul do distrito não está dotado deste recurso, sendo coberto pelos meios situados em Ponte de Sôr.

Mário Silvestre afirmou que, quando necessário, o distrito pode contar com os meios aéreos situados nos distritos adjacentes e que têm cobertura para esta região, como é o caso de Alcaria (Porto de Mós, distrito de Leiria).

O ataque aéreo helitransportado é este ano da responsabilidade do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR), salientou.

As equipas do GIPS, com 54 militares, integram igualmente “o grosso do dispositivo”, que conta com um total de 425 bombeiros (incluindo as equipas dos postos de comando e as de apoio logístico), a que se juntam sapadores florestais, associações de produtores, PSP, entre outros, num total de 715 operacionais, dispositivo mobilizado a 100 por cento na fase IV (de 01 de Julho a 30 de Setembro).

Mário Silvestre frisou a preocupação de todos estarem cientes da função que desempenham e da importância da consciencialização dos cidadãos de que, também eles, são parte do sistema.

O CODIS de Santarém declarou-se “defensor acérrimo” das Unidades Locais de Protecção Civil, tendo participado terça-feira ao fim do dia numa sessão promovida pela delegação distrital da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) de sensibilização dos eleitos de freguesia para o “papel crítico” que desempenham nesta área.

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