O vice-presidente da Câmara da Golegã, Diogo Rosa, considerou esta segunda-feira, dia 24 de agosto, que a consulta pública da candidatura da Feira da Golegã ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial representa “mais um passo” para o reconhecimento e preservação desta tradição secular.
O Património Cultural, Instituto Público, anunciou o início da consulta pública do projeto de decisão de inscrição da “Feira da Golegã” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, um procedimento que decorrerá durante 30 dias.
Em declarações à Lusa, o autarca considerou que o início do processo representa uma “etapa importante para a valorização daquele certame”, conhecido pela realização da Feira Nacional do Cavalo.
“Significa que o processo está a andar e é extremamente importante, na medida em que é mais um passo para vermos o nosso património e as nossas culturas reconhecidas e preservadas”, afirmou.
Para Diogo Rosa, a feira reúne todas as condições para obter o reconhecimento, destacando a sua antiguidade e singularidade.
“Tenho a certeza de que a candidatura reúne os requisitos necessários”, disse, sublinhando tratar-se de “um evento secular” com características “próprias e únicas”, não apenas em Portugal, mas também a nível internacional.
Segundo o autarca, “a convivência entre pessoas e cavalos”, as tradições ligadas ao mundo equestre e a presença de artesãos e produtores de todo o país conferem à feira “uma identidade distinta”.
“É um evento único, um certame do mais português que pode existir e tem todas as condições e todo o potencial para ser considerado património imaterial”, sustentou.
Questionado sobre o processo de preparação da candidatura, Diogo Rosa explicou que o trabalho assentou sobretudo na recolha e organização de documentação histórica promovida pela Associação Feira Nacional do Cavalo, com o apoio de uma equipa de consultoria.
“Foi necessário reunir muita documentação histórica, a história da feira, imagens e outros elementos que ajudam a suportar todo o processo”, referiu.
O responsável acrescentou que antigos e atuais dirigentes da feira contribuíram com documentação e testemunhos que permitiram consolidar o dossiê apresentado.
Quanto aos benefícios da eventual inscrição, Diogo Rosa salientou que o principal objetivo é assegurar “uma proteção mais formal da feira” e reforçar a sua divulgação.
“Vai trazer inúmeros benefícios”, afirmou, apontando desde logo o potencial turístico associado ao reconhecimento.
Segundo o autarca, a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial permitirá aumentar a notoriedade da feira e do concelho, contribuindo para atrair mais visitantes.
“O objetivo turístico é sempre muito importante. Aqui a ideia é proteger a feira de uma forma mais oficial, o que vai certamente atrair mais turistas”, declarou.
Diogo Rosa considerou ainda que o reconhecimento nacional poderá constituir um passo para uma futura candidatura da Feira da Golegã à lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
“O objetivo principal será conseguirmos que o processo transite para a UNESCO e que a feira seja reconhecida como património da humanidade”, afirmou.
Segundo o vice-presidente da autarquia, “esse cenário teria uma repercussão internacional ainda maior para a Golegã”, permitindo reforçar a visibilidade do concelho a nível mundial.
A concretizar-se, acrescentou, a Feira da Golegã passaria a juntar-se à Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, na Golegã, como segundo reconhecimento da UNESCO no concelho.
