A Infraestruturas de Portugal (IP) vai investir 18,37 milhões de euros na recuperação de danos provocados pelas intempéries do início do ano em estradas do distrito de Santarém, com os trabalhos previstos arrancar em setembro, informou hoje a empresa.
A intervenção vai abranger diferentes locais de 31 estradas nacionais e itinerários complementares, incluindo vias nos concelhos afetados pelos fenómenos meteorológicos extremos registados no início do ano 2026, indicou a IP à agência Lusa.
As empreitadas, designadas “IPOA – Intervenção em Pavimentos e Obras Acessórias – Intempéries 2026”, destinam-se ao restabelecimento das condições de exploração da rede rodoviária afetada e contemplam, consoante as necessidades identificadas, a reabilitação de pavimentos, estabilização de taludes, beneficiação de sistemas de drenagem e outras intervenções necessárias à reposição das condições normais de circulação.
No distrito de Santarém, os trabalhos abrangem a Estrada Nacional (EN) 243, EN365-4, EN118, EN119, EN10, EN251, EN367, EN114-3, EN114, EN114-2, Itinerário Complementar (IC) 10, EN365-2, EN3, EN238, EN110, EN110-5, EN113, EN349, EN349-3, EN358-1, EN358, EN3-12, EN244-3, EN244, EN241-1, EN359, EN351, EN2, IC3, EN361, EN362 e IC2.
A IP não especificou, na resposta à Lusa, a distribuição do investimento de 18,37 milhões de euros por cada uma das estradas ou os calendários das intervenções individualizadas, indicando apenas que o início dos trabalhos está previsto para setembro.
As intervenções integram o programa de recuperação dos danos provocados pelas “Intempéries 2026”, estruturado pela IP em três fases complementares: reação de emergência, restabelecimento das condições de exploração e reconstrução da infraestrutura.
A empreitada agora anunciada enquadra-se na segunda fase, destinada ao restabelecimento das condições de exploração da rede afetada, explicou a empresa pública.
A resposta da IP surge depois de o Governo ter autorizado, no início do mês, uma despesa de 79,7 milhões de euros, acrescida de IVA, para intervenções em estradas danificadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro nos distritos de Leiria, Santarém, Aveiro, Lisboa, Coimbra e Castelo Branco.
Do total autorizado, 21,2 milhões de euros estão previstos para 2026, 51,3 milhões de euros para 2027 e 7,1 milhões de euros para 2028, cabendo ao distrito de Santarém a terceira maior parcela, com 18,3 milhões de euros.
No final de julho, a IP tinha indicado à Lusa que, seis meses após a tempestade Kristin, tinha resolvido 56 das 57 interrupções registadas na rede rodoviária nacional no distrito de Santarém, mantendo-se apenas interrompida, de forma total, a EN243, no concelho de Alcanena.
A reabertura daquele troço, entre os quilómetros 28,704 e 31,325, estava então prevista para o quarto trimestre, após uma empreitada de estabilização de taludes orçada em cerca de 150 mil euros, cujo arranque deveria ocorrer este mês.
Entre as principais intervenções já identificadas pela IP encontravam-se também a estabilização do talude da EN2, em Abrantes, a recuperação de um troço da EN114 e a beneficiação do pavimento da EN118 entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo, igualmente em Abrantes.
A intervenção na EN114 representa cerca de 1,5 milhões de euros, enquanto a estabilização do talude da EN2, na zona de Espinhaço de Cão, está orçada em 1,3 milhões de euros.
Na EN118, entre os quilómetros 128 e 134, estava previsto um investimento superior a 500 mil euros.
No conjunto do território continental, as depressões Kristin, Leonardo e Marta atingiram Portugal em três semanas a partir do final de janeiro, provocando pelo menos 19 mortos, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
Segundo dados divulgados pelo Governo, mais de 35 mil habitações foram afetadas, mais de um milhão de pessoas ficaram sem eletricidade e cerca de meio milhão de clientes ficaram sem telecomunicações, tendo os prejuízos estimados ultrapassado 5,3 mil milhões de euros.
