A associação Isto não é um Cachimbo lança sábado, na aldeia da Azinhaga, concelho da Golegã, o Programa da Imagem e da Palavra da Azinhaga (PIPA), apresentando uma programação que cruza literatura e arte contemporânea até Dezembro.

Ana Matos, que, com Cláudio Garrudo, desenvolveu ao longo de 10 anos, em Lisboa, projectos como Bairro das Artes e Mapa das Artes, disse à Lusa que o PIPA surge dessa vontade de trabalhar no território, neste caso numa zona que começaram a frequentar com alguma regularidade por razões pessoais e profissionais e na qual se aperceberam da escassez de acesso à cultura e de criação de hábitos culturais.

Sendo curadora da Fundação José Saramago, Ana Matos é responsável pelo polo da Azinhaga, aldeia ribatejana onde nasceu o Nobel da Literatura, situada num concelho, Golegã, onde existe, também, a Casa-Museu Carlos Relvas (fotógrafo) e o Museu Municipal Martins Correia (artista plástico), “legados fundamentais” da região.

“Achámos que, a partir destes dois lugares, conseguiríamos desenvolver um projecto, que, não sendo inédito em Portugal, porque há muitos festivais literários e que têm estes cruzamentos interdisciplinares”, permite trabalhar a imagem (fotografia, cinema, vídeo) e a palavra, disse Ana Matos.

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“O PIPA surge […] da vontade de trabalhar um território que passou a ser de alguma forma nosso […] e na continuação de um projecto da associação, de continuação da promoção da arte contemporânea no nosso país”, acrescentou.

O objectivo, sublinhou, é colocar “em diálogo a Literatura e as práticas da Arte Contemporânea” e ser “um lugar de partilha e interacção entre artistas, escritores, poetas, músicos e outros criadores e agentes culturais, criando relações com a comunidade e cultura locais”.

Até ao final do ano, a programação do PIPA abrange diversas iniciativas, de entrada livre, como exposições e palestras, passando por apresentações de livros, conversas com artistas e produção de edições até ao projecto educativo, “contribuindo, desta forma, para a produção de conhecimento, capacidade crítica e sentido estético”, segundo uma nota da associação.

O programa arranca domingo com uma actividade para o público infantil, “Ser Magritte por um Dia”, orientada por Catarina da Ponte, historiadora de arte e curadora da associação, que reside na região.

No dia 22 de Outubro, passa o filme “Mulheres do meu país”, seguido de uma conversa com a argumentista e realizadora Raquel Freire, estando agendada para dia 27 de Novembro a oficina “O Museu do Pensamento”, com a escritora e dramaturga Joana Bértholo, e a palestra “Processos de escrita”, com o escritor João Tordo.

Para 18 de Dezembro está marcado o “Concerto por uma árvore”, pelo compositor, multi-instrumentista e artista sonoro Fernando Mota, aproveitando a proximidade da Reserva Natural da Biosfera do Paul do Boquilobo, e para 20 e 23 desse mês duas actividades para o público infantil, “Ser Van Gogh por um dia” e “Ser Matisse por um dia”.

O programa até ao final do ano inclui, ainda, a palestra “Arte e Educação”, proferida pelo comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, e a inauguração da exposição “Sol”, do artista visual Rui Horta Pereira.

Estão previstas, também, Residências Artísticas e Literárias, “que têm como ponto de partida o território da Azinhaga e a região da Golegã, as suas especificidades e idiossincrasias”, sendo a primeira protagonizada pelo fotógrafo Augusto Brázio.

Ana Matos frisou que a programação do PIPA é “assumidamente anual”, já que o propósito é “trabalhar num território que tem muito pouca oferta cultural e em que há muito trabalho a fazer do ponto de vista da criação de público e de hábitos culturais”.

A associação conta com o apoio logístico da Câmara Municipal da Golegã e da Junta de Freguesia da Azinhaga, que cederam a antiga escola primária, onde funcionará a sede e se realizarão grande parte das actividades, e que disponibilizarão o espaço para as residências artísticas.

O apoio financeiro vem do programa governamental Garantir Cultura, porque a cultura e os artistas “precisam de dinheiro” para viverem com dignidade, disse Ana Matos, assegurando que a associação “honrará cada cêntimo” de dinheiro público que receber.

A exemplo dos projectos desenvolvidos pela associação em Lisboa, também aqui a ideia é congregar instituições, estruturas, associações para a realização de um trabalho em rede, aproveitando a muita oferta cultural que já existe no Médio Tejo e na Lezíria, disse.

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