O namorado de Sara Carreira, Ivo Lucas, e a fadista Cristina Branco foram acusados de homicídio negligente no caso do acidente que vitimou a cantora, ocorrido há um ano na A1, junto a Santarém.

Na acusação proferida no passado dia 06, a que a Lusa teve hoje acesso, o Ministério Público acusa quatro pessoas, sendo Ivo Lucas e Cristina Branco acusados da prática de um crime de homicídio negligente e duas contra-ordenações ao código da estrada, ambas graves, no caso da fadista, e uma leve e uma grave no de Ivo Lucas.

São ainda acusados da prática do crime de condução perigosa outros dois condutores envolvidos no acidente que originou a morte da filha de Tony Carreira: Paulo Neves, acusado ainda por três contra-ordenações ao código da estrada (uma leve, uma grave e uma muito grave), e Tiago Pacheco, também por duas contra-ordenações (uma leve e uma grave).

Segundo a acusação, o acidente, que ocorreu ao final da tarde do dia 05 de Dezembro de 2020, já “noite escura” e com períodos de chuva fraca, teve início, cerca das 18:30, com o embate da viatura conduzida por Cristina Branco no veículo de Paulo Neves, o qual circulava na faixa da direita a entre 28,04 e 32,28 quilómetros/hora, velocidade inferior à mínima permitida por lei (50 Km/h), e depois de ter ingerido bebidas alcoólicas.

A viatura de Cristina Branco embateu, de seguida, na guarda lateral direita, rodando e imobilizando-se, virada em sentido contrário, na faixa central da A1. Apesar de ter ligado as luzes indicadoras de perigo, a fadista, que abandonou a viatura, é acusada de não ter feito a pré-sinalização de perigo.

O relato do acidente constante da acusação afirma que, cerca das 18:49, Ivo Lucas circulava pela faixa central entre 131,18 e 139,01 quilómetros/hora, velocidade superior à máxima permitida por lei (120 Km/h), não tendo conseguido desviar-se do carro da fadista, no qual embateu com o lado esquerdo, seguindo desgovernado para o separador central e capotando por várias vezes até se imobilizar na faixa da esquerda, quase na perpendicular, com parte a ocupar a faixa central.

Pelas 18:51, Tiago Pacheco seguia pela via central entre 146,35 e 155,08 quilómetros/hora, afirmando a acusação que não reduziu a velocidade, mesmo apercebendo-se que passava pelo local do acidente, não conseguindo desviar-se da viatura de Ivo Lucas (que ocupava parcialmente aquela faixa), onde este ainda se encontrava, bem como Sara Carreira.

A investigação decorreu na 4.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal da Procuradoria da República da Comarca de Santarém. 

O advogado de Tiago Pacheco, João Grade dos Santos, disse hoje à Lusa que vai pedir a abertura de instrução, prevendo entregar o requerimento na terça-feira.

A fase de instrução é facultativa, permitindo que um juiz de instrução criminal decida se o processo segue, e em que moldes, para julgamento.

A instrução abrange todos os arguidos, mesmo que seja só um a requerer a sua abertura.

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