A Santa Casa da Misericórdia de Santarém está a organizar hoje, ao longo do dia, as primeiras Jornadas da Saúde, com o tema “Cuidar: da Inovação à Prática”, no Convento de São Francisco.

A iniciativa, inserida no âmbito das Comemorações do 523º Aniversário da Misericórdia de Santarém, pretende ser um espaço de reflexão e debate acerca dos desafios que se colocam às instituições do terceiro sector, uma vez que, entre os estados membros da União Europeia, Portugal é dos países mais envelhecidos, onde cerca de um em cada quatro portugueses tem mais de 65 anos.

“Os dados dos Censos de 2021 revelam que Portugal está a ter um “duplo envelhecimento”: um incremento expressivo da população idosa e que cada vez vive mais tempo e uma redução do número de jovens.  Essa realidade é ainda mais expressiva em Santarém”, disse o presidente do Município escalabitano, Ricardo Gonçalves, na sessão de abertura destas jornadas.

Nesse sentido, afirmou, a acção da Misericórdia de Santarém, a par das outras IPSS do concelho, “tem sido fundamental no apoio dado a esta população mais vulnerável”.

Uma ideia partilhada pelo director da Segurança Social de Santarém, Renato Bento, para quem a questão da longevidade tem de ser encarada como uma “boa notícia”.

“Temos de olhar para o envelhecimento de forma transversal, mobilizando a sociedade para um investimento transformacional”, afirmou, acrescentando que, actualmente estamos a viver uma “fase histórica” no que respeita ao investimento em equipamentos sociais.

No distrito, anunciou, estão em fase de concretização 64 novos projectos, sobretudo dirigidos à anciania, muitos deles financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pela Agenda Portugal 2030.

Na sua intervenção, o responsável deixou ainda um desafio para que as Misericórdias e IPSS se empenhem em “soluções inovadoras” para dar resposta aos desafios do envelhecimento.

Em vez de respostas tradicionais, como estruturas residenciais para idosos ou centros de dia, Renato Bento considera que a ‘chave’ poderá estar na valência do apoio domiciliário, capaz de promover a autonomização das pessoas para que fiquem cada vez mais em casa.

Para o provedor da Misericórdia de Santarém, Hermínio Martinho, “o respeito e a dignificação das pessoas é a missão mais importante da instituição”, apontando que, no pós-pandemia, temos agora “os desafios da Guerra na Ucrânia e a inflação que tornam ainda mais difícil a acção da Misericórdia”.

“Precisamos que o Estado Português trabalhe mais em cooperação connosco, criando condições para que possamos fazer mais em prol das comunidades nas quais estamos inseridos”; apelou.

Presente nestas Jornadas da Saúde, Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) considerou ser necessário existir uma maior colaboração entre Saúde e Segurança Social para cuidar melhor das pessoas em lares

Segundo transmitiu o responsável da UMP, a pandemia de covid-19 trouxe aos lares o pior dos últimos tempos, mas também trouxe outra realidade: a das mudanças fundamentais, quer nas relações entre Saúde e sector social, entre Saúde e Segurança Social, quer nos conceitos, porque o lar do futuro “vai ter de ser diferente, mais especializado, com equipas mais motivadas e menos utentes”.

Nesse sentido, saudou a instalação dos Balcões SNS 24 nas Estruturas Residenciais para Idosos, Lares Residenciais para Pessoas com Deficiência e nas Unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, o que permite assegurar uma resposta de proximidade, qualidade e ultrapassar algumas barreiras existentes nestas faixas etárias no acesso às tecnologias.

“Esta iniciativa contribui para qualificar estes serviços com respostas inovadoras, que facilitam e medeiam o acesso dos seus utentes aos cuidados de saúde do SNS. São um legado da pandemia que veio para ficar e que visa não deixar ninguém para trás”, afirmou, anunciando que, dentro em breve, o distrito de Santarém irá também dispor deste serviço.

O projecto de expansão desta resposta em saúde para o sector social, permite direccionar serviços de saúde para uma população vulnerável, através de uma rede representativa, estruturada e disseminada pelo país.

“Estamos no princípio do futuro”, disse o presidente do Secretariado Nacional da UMP destacando que a medida tem “um potencial brutal que se traduz na satisfação do utente. Além disso, para quem cuida, traz maior segurança e comodidade”, concluiu.

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