O lar da Santa Casa da Misericórdia de Benavente tem 29 utentes e cinco funcionários infectados com o vírus SARS-CoV-2, estando os idosos em isolamento na instituição.

O presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, disse à Lusa que na quinta-feira foi confirmada a infecção em 29 dos pouco mais de 60 utentes do lar e do serviço de apoio domiciliário da Misericórdia, tendo sido avaliadas as condições da instituição e reorganizados os espaços para salvaguardar os que estão e os que não estão infectados.

Segundo o autarca, as condições das instalações permitiram criar uma zona de isolamento no primeiro piso para os casos que tiveram teste positivo à covid-19 e ainda uma sub-ala para os que tiveram resultado negativo nos testes, mas que tiveram maior exposição, fruto de contactos.

No rés-do-chão estão os utentes que não estão infectados, tendo sido criadas três equipas que acedem aos diferentes espaços por circuitos independentes, para não haver contactos, afirmou.

Carlos Coutinho disse que estão assegurados os cuidados médicos e de enfermagem, não tendo havido, até ao momento, nenhum caso a necessitar de internamento hospitalar, acreditando que estão criadas as condições para “controlar e prevenir a contaminação”.

Questionado sobre queixas de familiares dos utentes do lar Cantinho Sénior, em Samora Correia, não legalizado pela Segurança Social e de onde foram retirados na quarta-feira 35 utentes infectados para a estrutura de retaguarda Centro Espiritual Francisco e Jacinta Marto, em Fátima, o autarca disse que estão a ser apuradas as circunstâncias em que se deu a recepção dos idosos, mas assegurou que, neste momento, estão a receber “todos os cuidados necessários”.

Numa exposição feita por familiares de uma idosa enviada à Lusa é afirmado que a transferência dos idosos foi feita sem qualquer acompanhamento médico ou de enfermagem e que foram instalados, já à noite, depois de uma viagem de “duas horas”, sem cuidados de higiene nem toma de medicação, o que, em alguns casos, se teria prolongado até ao início da tarde de quinta-feira.

Carlos Coutinho admitiu que alguma coisa “possa não ter corrido bem” nos momentos iniciais, tendo em conta toda a logística que envolve a recepção, num mesmo momento, de mais 35 pessoas numa estrutura onde já se encontravam 14 utentes.

Salientando que não é fácil encontrar recursos humanos para estas estruturas e que as pessoas que se disponibilizaram para aí prestar serviço o fazem com “espírito de missão”, o autarca afirmou sentir algum “desgosto” pela forma como são colocadas publicamente questões que exigem “sentido de responsabilidade”, tanto mais que, dado o avolumar de situações, há um “desgaste” em todos os que têm de lidar com elas.

Carlos Coutinho afirmou que a casa de acolhimento Cantinho Sénior tinha 44 utentes, cerca de 12 no edifício principal e os restantes num anexo, com 200 metros quadrados, que foi adaptado e onde dormiam num espaço amplo, apenas separado por cortinas, condições que terão facilitado o contágio e que não poderiam assegurar o acompanhamento que se impõe face à doença.

“Os testemunhos dos familiares são de que os idosos recebem cuidados de alimentação e higiene de forma correcta. Não pomos isso em causa. Agora, havendo uma situação de doença, exige-se um outro acompanhamento, em espaços correctos”, o que determinou a decisão de transferência para a estrutura de retaguarda em Fátima, tomada pela Proteção Civil, Segurança Social e Autoridade de Saúde, declarou.

Carlos Coutinho afirmou que uma equipa da proteção civil municipal vai no sábado fazer uma visita a este espaço e tentar contactar com os idosos, com idades entre os 70 e mais de 90 anos.

Na queixa, os familiares referem que algumas famílias não foram informadas, salientando Carlos Coutinho que, com o avolumar de casos, nem sempre é possível proceder a contactos céleres, assegurando que eles estão a ser feitos e que o município está a “procurar criar canais de comunicação” para permitir que os familiares tenham informação sobre os idosos.

Quanto às preocupações em relação ao acolhimento findo o período de quarentena, Carlos Coutinho assegurou que o município está disponível para ajudar a encontrar soluções, salientando que “cada passo deve ser dado no seu momento”, sendo agora altura de assegurar que os idosos têm garantidos todos os cuidados.

O último boletim divulgado pelo município indica que o concelho de Benavente conta com 521 casos activos, mais 34 do que na véspera, tendo registadas, desde o início da pandemia, em Março de 2020, 12 mortes.

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