O Centro de Bem-Estar Social de Alcanena tem 71 utentes e 22 funcionários infectados com o novo coronavírus, num surto que se iniciou há cerca de duas semanas e que provocou a morte a três idosos, disse fonte autárquica.

A presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira, disse hoje à Lusa que a instituição, que possui várias valências (lar, hospital, creche, ATL e pré-escolar), em edifícios distintos, passou 2020 sem qualquer surto, mas, na semana em que estava previsto se iniciar a vacinação, a testagem regular feita pela Segurança Social a todos os trabalhadores revelou os 11 primeiros casos.

Os testes realizados de imediato em toda a instituição revelaram que 14 utentes estavam infectados pelo vírus SARS-Cov-2, número que foi subindo, havendo, neste momento, um total de 93 infectados (71 utentes e 22 funcionários), disse.

“Felizmente, a situação tem estado controlada”, disse, salientando que tem havido apoio dos funcionários das outras valências e que, na segunda-feira, foram colocados cinco elementos das brigadas de intervenção rápida da Segurança Social, sendo que os primeiros 11 trabalhadores infectados estão “em processo de vir a ter alta e regressar”.

“Em termos de funcionamento, a instituição está com a situação regularizada, sabendo que há constrangimentos para quem lida com 71 pessoas infectadas”, disse a autarca.

Fernanda Asseiceira afirmou que os três óbitos ocorreram em pessoas com idade avançada e “com outras situações de saúde difíceis”, havendo ainda dois utentes hospitalizados no Centro Hospitalar do Médio Tejo.

O surgimento do surto não permitiu que ocorresse a vacinação no Centro de Bem Estar Social de Alcanena – o que só acontecerá quando passarem 20 dias sobre o resultado positivo -, tendo apenas sido vacinados os utentes do designado hospital, que acolhe os idosos acamados, “que requerem outro tipo de cuidados médicos que não se conseguem garantir num lar”, e dos funcionários, já que todos tiveram resultados negativos nos testes.

Passada a situação “dramática” que se viveu em Novembro no Centro de Bem-Estar Social de Minde, com um total de 160 infectados e 20 mortos, todos os utentes da instituição receberam já a primeira dose da vacina, disse.

Fernanda Asseiceira afirmou que esta foi uma situação “muito difícil”, pelo elevado número de mortes e pelo sentimento de incapacidade, apesar de todos os esforços desenvolvidos.

A autarca salientou o facto de o número de casos na comunidade ter começado a baixar na segunda-feira, considerando que o encerramento das escolas, como vinha pedindo, “veio ajudar”.

Fernanda Asseiceira referiu que foram vários os casos positivos com origem na freguesia de Amiais de Baixo, já no concelho de Santarém, de onde são provenientes cerca de uma centena de alunos do agrupamento de escolas de Alcanena.

Na testagem feita na empresa municipal que gere os sistemas de saneamento e abastecimento de água do concelho, Aquanena, foram detectados 17 casos de infecção, assintomáticos, que permaneceram em isolamento, número que se manteve inalterado depois dos testes realizados na sexta-feira passada aos que tinham tido resultado negativo.

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