Foto: Município de Torres Novas

O relatório do LNEC sobre a derrocada junto ao Tribunal de Torres Novas confirmou a perigosidade do talude, mantém a evacuação de três habitações e determina a execução de intervenções cautelares urgentes, informou hoje a Câmara Municipal.

“O relatório confirma a perigosidade do talude e reforça a necessidade de manter todas as restrições e avançar de imediato com medidas corretivas”, afirmou hoje o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques (PS).

Em reunião do executivo, o autarca explicou que aquele município do distrito de Santarém recebeu esta manhã o relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) relativo à derrocada ocorrida na madrugada de sexta-feira nas traseiras do Tribunal, após vários dias de chuva intensa.

Segundo Trincão Marques, a avaliação técnica confirma a instabilidade do talude, onde colapsou uma zona com cerca de 15 metros de extensão e altura, atingindo a crista que confina com uma banda de vivendas, levando à evacuação preventiva de três habitações, depois de vistoria realizada no sábado.

“O Laboratório deixou claro que qualquer intervenção no muro pode provocar o colapso total. Nesta fase, só se podem realizar medidas cautelares para estabilizar o talude, antes do projeto definitivo”, explicou.

O relatório resulta de uma visita técnica realizada no sábado, com a presença de técnicos da Proteção Civil, Câmara Municipal, Administração dos Tribunais e LNEC.

O laboratório descreve um talude executado aquando da construção do Tribunal, no final da década de 1970, com estruturas de contenção sem reforço nem drenagem e fundadas diretamente no terreno natural.

Durante a inspeção, foram identificados solos finos saturados e ausência de fundações nas estruturas verticais de betão. Também se verificaram indícios de instabilidade noutras zonas do talude, incluindo fissuras verticais e uma fenda horizontal na base do muro, no lado sudeste.

Entre as medidas impostas estão a manutenção da evacuação das habitações situadas na crista do talude, a colocação de vedações, a interdição parcial das instalações do Tribunal nas zonas voltadas para as traseiras e a colocação imediata de telas plásticas ao longo de toda a encosta para evitar novas infiltrações de água.

O relatório recomenda ainda a escoragem provisória do muro com perfis metálicos, a colocação faseada de enrocamento na área instabilizada do talude e o desvio das águas pluviais provenientes das habitações, devendo as casas permanecer desocupadas até estarem reunidas condições mínimas de segurança.

Na sequência destas recomendações, o município solicitou o apoio das Forças Armadas, tendo sido mobilizada uma equipa do Regimento de Engenharia n.º 1 do Exército, já no local a executar os trabalhos prioritários.

“Conseguimos encontrar as telas no domingo e hoje o Exército já está no terreno a colocá-las. É um trabalho perigoso e agradeço publicamente esta colaboração”, disse Trincão Marques.

Quanto ao funcionamento do Tribunal, explicou que o edifício poderá operar apenas nas áreas viradas para a Rua 25 de Abril, mantendo-se interditas as instalações nas traseiras.

O autarca adiantou ainda que está agendada para terça-feira uma visita de representantes do Ministério da Justiça e do Conselho Superior da Magistratura, lembrando que estava já em preparação um contrato interadministrativo para a intervenção definitiva no muro, estrutura com cerca de 50 anos, cuja execução ficará agora dependente do projeto de estabilidade recomendado pelo LNEC.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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