Lucinda Saragoça partilha hoje memórias da Escola Agrícola e do Liceu Sá da Bandeira

“Partilhar Memórias” é o tema proposto pelas Jornadas Europeias do Património, que se realizam este ano entre 28 e 30 de Setembro. À semelhança dos últimos anos, o Jornal Correio do Ribatejo, detentor de 127 anos de memórias, associa-se a esta iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia.

Hoje, dia 28 de Setembro, pelas 15h00, na Biblioteca da Escola Superior Agrária de Santarém, vão ser partilhadas memórias de três instituições centenárias: Escola Agrícola de Santarém, Liceu Sá da Bandeira e Correio da Extremadura/do Ribatejo. Lucinda Saragoça, professora das duas instituições escolares, será a oradora numa sessão aberta ao público em geral e aos alunos do Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira (11.º ano), e da Escola Superior Agrária.

Pelas 16h00, será inaugurada a exposição “Os Retratos da Sala dos Directores da Escola Superior Agrária de Santarém: Que memórias partilham?” que estará patente, na Biblioteca da Escola Superior Agrária de Santarém, até 4 de Outubro.

A professora Lucinda Saragoça, palestrante da sessão, considera a Escola Agrícola de Santarém e a Escola Secundária Sá da Bandeira as suas “segundas casas”, pois nelas passou grande parte da sua vida.

“A primeira escola oficial onde leccionei, ainda que por pouco tempo, foi a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém”, afirmou ao Correio do Ribatejo.

Lucinda Saragoça foi convidada a ministrar as cadeiras de Filosofia e Psicologia aos alunos do Curso de Regentes Agrícolas e dos Cursos Complementares Agrícolas. Leccionava nessa Escola aquando da extinção dos ditos cursos. A Escola de Regentes Agrícolas, integrada no Instituto Politécnico de Santarém, passaria a ministrar cursos superiores de curta duração e denominar-se-ia Escola Superior Agrária.

“Apercebi-me que, nesse momento determinante, em que se iria virar mais uma página do ensino agrícola em Santarém não havia um estudo aprofundado sobre o mesmo. Propus-me, então, fazer uma monografia sobre o assunto. Quero, no entanto, esclarecer que essa monografia terminava aquando da criação da Escola Superior Agrária”, salienta a docente.

Posteriormente, Lucília Saragoça foi convidada para fazer uma conferência sobre o ensino agrícola em Santarém, na sessão solene das comemorações do 1.º centenário da Escola e, nesse âmbito, prolongou mais um pouco o seu estudo, de modo a abarcar os 100 anos da existência desse estabelecimento de ensino. Posteriormente, lecionou na Escola Secundária Sá da Bandeira, antigo Liceu Nacional de Santarém, onde permaneceu até à aposentação.

“Tive curiosidade em saber como o ensino liceal se tinha instalado na nossa cidade e como evoluiu ao longo do tempo. Nessa altura, nasceu um pequeno trabalho, que denominei «Bosquejo Histórico sobre o Ensino Liceal em Santarém». Agora aprofundei-o um pouco mais, mantendo o início no nascimento do Liceu e prolongando-o, apenas, até final do século XX. É com base nestes trabalhos e nas vivências adquiridas nessas duas extraordinárias instituições que vou procurar partilhar memórias, para que o tempo as não apague,” concluiu Lucília Saragoça.

Retratos que partilham memórias

Na mesma sessão será inaugurada (16h00) a exposição “Retratos da Sala dos Directores da Escola Agrária de Santarém: que memórias partilham?”, promovida pelo Serviço de Documentação, da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS) e que pretende dar conhecer ao público o estudo desenvolvido desde o início do ano, para assinalar os 130 anos de ensino agrário em Santarém.

“Trabalho que procura traçar um breve perfil biográfico de cada um dos sete dirigentes da Escola, para além da comunidade académica. Os seus mandatos representam cerca de cinquenta anos de vida desta Instituição, detentora de várias designações ao longo dos anos”, explicou ao Correio do Ribatejo Ana Teresa Jorge, do Serviço de Documentação da ESAS.

Assim, o primeiro dirigente da Escola Prática de Agricultura e Frutuária de Santarém foi o francês Gabriel Gaston Malet, entre 1889 e 1991. Francisco Raimundo da Silveira governou o destino da Escola Elementar de Agricultura Prática de Santarém entre 1891 e 1899. João Coelho da Mota Prego dirigiu a Escola de Regentes Agrícolas “Morais Soares” de Santarém, entre 1899 e 1904. O mandato seguinte foi assegurado por Duarte Patten Sá Viana até 1911. Carlos Correia Mendes geriu a Escola Prática de Agricultura de Santarém entre 1911 e 1915. A Escola Técnica Secundária de Agricultura de Santarém teve primeiramente como Director José Maria Tavares da Silva (1916-1919) e posteriormente Alfredo Luís Ferreira a partir de 1920, que se manteve no cargo até 1943, em que a Escola já tinha o nome de Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, desde 1931.

“A presente mostra pretende assim cruzar as memórias destes insignes agrónomos com o percurso da própria Escola, sempre com a perspectiva de reforçar a identidade da Instituição. Os dados recolhidos até agora, foram recentemente valorizados com notícias do Correio da Extremadura, gentilmente cedidas pela Doutora Teresa Lopes e que reforça de sobremaneira a partilha de memórias, entre duas instituições centenárias da cidade de Santarém: a Escola Superior Agrária de Santarém e o Correio do Ribatejo e que se associam pela terceira vez na comemoração as Jornadas Europeias do Património”, conclui Ana Teresa Jorge.

A referir que a Exposição “Retratos da Sala dos Directores da Escola Agrária de Santarém: que memórias partilham?” poderá ser visitada na Biblioteca da Escola, Edifício dos Laboratórios, Piso 1, até ao próximo dia 4 de Outubro.

A organização deste “partilhar de memórias”, dia 28 de Setembro, estará a cargo do Serviço de Documentação da Escola Superior Agrária de Santarém, do Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira e do Correio do Ribatejo, contando com o apoio da Câmara Municipal de Santarém.

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