Foto ilustrativa

A Câmara de Mação, no distrito de Santarém, vai apoiar financeiramente os apicultores locais para “estimular a produção de mel” e suster o “acentuado declínio da atividade” apiária no concelho, anunciou hoje o município.

“Ao longo dos anos tem-se assistido a uma diminuição do número de apiários e, apesar da câmara também ajudar o setor através da instalação de uma central meleira, não tem sido possível travar este declínio, que é um pouco transversal a todo o setor primário no concelho”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela.

Nesse sentido, e para suster o declino da atividade, o município aprovou um regulamento de apoio para os apicultores que se traduz num apoio financeiro a fundo perdido a conceder aos titulares de apiários registados em Mação e que visa “contribuir para a manutenção, desenvolvimento e crescimento da fileira, atenuando o impacto negativo do constante aumento dos custos de produção”, sem o correspondente aumento de receitas.

“Entendemos que podia ser relevante termos um sistema de incentivos a este setor e que era uma forma de tentar dar um sinal de apoio, ainda com algum significado em termos financeiros, para estimular a produção de mel e [para os apicultores] terem a consciência da importância da agricultura no nosso concelho”, afirmou Estrela.

O autarca deu conta de um “decréscimo abrupto de existências” nesta fileira, que a par da olivicultura, vitivinicultura e pecuária extensiva, predominava em Mação nos anos 60 e 70, tendo referido existirem atualmente cerca de 3.000 colmeias e cortiços registados, em contraste com as 10.000 colmeias contabilizadas na década de 80.

“Penso que tem muito a ver com o despovoamento do território, também com alguma dificuldade de escoamento do produto, com algum desinteresse que foi acontecendo e com algumas doenças ligadas ao setor. Acho que tudo isto conduziu a esta realidade”, declarou Vasco Estrela.

“Aquilo que vamos tentar fazer, mais uma vez, é dar este apoio para estimular, de facto, a apicultura, esta fileira tão importante”, vincou.

Segundo o autarca, Mação tem hoje cerca de “70 apicultores e entre 2.000 a 3.000 colmeias registadas e que cumprem o previsto no normativo para poderem ser candidatadas” e receberem o apoio.

“Estamos a falar de cinco euros por colmeia e, portanto, diria que se tivermos estas 3.000 colmeias só aí significa um investimento de cerca de 15.000 euros que me parece interessante e relevante para o setor”, disse Estrela.

“É um estímulo e um sinal que estamos a dar, para estes apicultores, para estas pessoas que não desistem do território e que ajudam a manter as tradições, o perpetuar daquilo que é que é a nossa vivência, e que também estão a contribuir para a economia local e para a sua própria economia pessoal e familiar”, destacou.

O autarca manifestou ainda “preocupação com todo o setor primário” e com a “manutenção daquilo que eram as condições, as práticas e as tradições de vida”, tendo feito notar que “só com muito esforço vão sendo mantidos por alguns agricultores”, muitos já de idade avançada.

“Há toda uma reformulação e um repensar destas matérias que deve ser tido em conta e espero também que os poderes públicos, a nível central, consigam, de facto, perceber estas realidades e estas dinâmicas e possam existir apoios efetivos para que estas tradições se mantenham e que estes territórios possam ter vida também através destes setores e destas fileiras”.

O objetivo, sintetizou Estrela, “é que as pessoas não desistam e sintam que os poderes públicos estão do seu lado”.

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