A ministra do Ambiente e Energia visitou hoje o Bairro de Alfange em Santarém, onde um deslizamento de terras provocou a interrupção do acesso principal à localidade.
Em declarações aos jornalistas, Maria da Graça Carvalho salientou que a principal preocupação neste momento são os deslizamentos de terras provenientes das barreiras da cidade, fruto das consequências da precipitação que tem atingido o concelho.
“Já está a ser feito todo o trabalho de avaliação das arribas com o LNEC. Temos financiamentos no Programa Operacional Sustentável 2030, o PRR e o Fundo Ambiental, e vamos ter de olhar e redirecioná-los para as prioridades urgentes do momento”, afirmou.
A ministra aproveitou ainda para fazer o ponto da situação relativamente às zonas ribeirinhas do concelho, afetadas pelas cheias.
“A situação de cheias no rio Tejo estão neste momento controladas. Tivemos situações ao longo destas duas semanas inéditas e que nos podiam ter conduzido às maiores cheias de sempre. Felizmente conseguimos controlar a situação com as nossas barragens do Cabril e do Zêzere, em estreita cooperação com Espanha, para que não chegássemos a um ponto crítico”, disse.
Maria da Graça Carvalho revelou ainda que os caudais dos rios e seus afluentes estão a descer e que os valores ficaram abaixo dos 14.700 metros cúbicos por segundo, valor registado durante as cheias dos anos 70 do século XX e que assolaram a região.
“Houve momentos de aflição, principalmente quando as barragens espanholas estavam com a sua capacidade no vermelho, em 97%. Felizmente, conseguimos nunca ultrapassar os 9000 metros cúbicos por segundo, e agora estamos com 3000 metros”, adiantou.
A visita da ministra à cidade foi acompanhada pela presença do presidente da Câmara Municipal, João Teixeira Leite, e respetivo executivo municipal, que alertaram para os vários pontos críticos existentes no concelho, numa reunião de trabalho realiza esta manhã, na sede da autarquia.
“Estamos a falar de encostas que colocam em perigo a principal linha férrea do país e o mesmo não pode sujeitar-se a uma calamidade que prejudique a nossa população, nem que pare, do ponto de vista económico e social, a deslocação desta”, defendeu o autarca que sublinhou que já estão a decorrer intervenções nas barreiras da cidade.
“Estamos a fazer os trabalhos de remoção destas terras, vamos consolidar a estrada e recolocá-la em funcionamento para ter acesso ao bairro populacional de Alfange. As outras intervenções estão a ser monitorizadas, obedecem do ponto de vista técnico a grandes intervenções de especialidade muito técnicas e que por isso, não só em termos de projeto, bem como depois da intervenção, terá de ser feita a uma escala muito acrescida”, explica, acrescentando que as respetivas intervenções representam “milhões de euros de investimento” e que sem a intervenção do Governo “é impossível agir de forma urgente”.
Após as cheias nas zonas ribeirinhas, a instabilidade das encostas que sustentam o planalto de Santarém tornou‑se uma das principais preocupações do município, tendo levado à retirada de quatro famílias até ao momento.






