Depois de se saber que o Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos já não irá para as instalações do Ministério da Administração Interna, no Terreiro do Paço, por decisão deste governo, contra a decisão tomada pelo último governo socialista, que no programa “Princípio da Incerteza” de domingo, da CNN Portugal, o actual ministro da Presidência, considerou uma “promessa não cumprível”, Leitão Amaro foi mais longe e, no mesmo programa, tornou pública a intenção manifestada pelo presidente da Câmara de Santarém em que esta cidade possa receber esse Centro Interpretativo.

“Nas últimas horas recebi do presidente da Câmara da cidade de onde saiu Salgueiro Maia uma proposta para o fazer lá [o Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos]. O presidente da Câmara de Santarém fez essa proposta ao Governo. Disse-lhe que deverá falar com a Comissão das Celebrações, e com a Associação 25 de Abril, para se procurar encontrar uma solução que funcione num sítio em que os portugueses possam usufruir sem entrarmos em discussões do tipo que só há um sítio, ou edifício em que tudo tem de acontecer”, afirmou Leitão Amaro no passado domingo, na CNN.

Assim, existe a possibilidade do Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos poder vir para Santarém, já que se encontra ainda sem instalações, mas também sem financiamento.

Segundo o ‘Expresso’ o processo está bloqueado porque o Governo não cedeu o espaço previsto para a sua instalação. O Governo “mantém abertura” para encontrar soluções para o Centro Interpretativo do 25 de Abril depois de considerar inviável instalá-lo no edifício inicialmente previsto, e chegou a sugerir o quartel da Pontinha, ideia que não agradou à Associação 25 de Abril, o que pode pesar na escolha de Santarém para a sua futura instalação. Segundo o coronel Vasco Lourenço, o ministro da Presidência, Leitão Amaro, comunicou à associação que “por razões de segurança”, não especificadas, o MAI já não iria sair das actuais instalações.

Ao Correio do Ribatejo, João Teixeira Leite confirmou o contacto com o governo: “confirmo que propus ao Governo que o Centro Interpretativo do 25 de Abril possa ser instalado em Santarém. O Município tem total disponibilidade para acolher este projecto de inequívoca relevância nacional”, afirmou.

No entender de João Leite, “este espaço, hoje propriedade municipal, reúne condições únicas para uma concretização rápida e sem constrangimentos, permitindo dar ao projecto a dignidade que o 25 de Abril exige. A localização central e as boas acessibilidades reforçam ainda o seu potencial como polo de memória, visitação e estudo, contribuindo também para a coesão territorial”.

“O País não é só Lisboa e Porto, esta é a oportunidade de a política pública mostrar ao País que defende a verdadeira descentralização. Honrar o legado de Salgueiro Maia no local onde tudo começou é um acto de justiça e um compromisso com o futuro”, salientou, garantindo já ter “estudo prévio e o projecto de execução está em fase de desenvolvimento,” conclui.

 

Centro interpretativo não anula MAVU

Depois de tornada pública pelo ministro da Presidência a intenção de Santarém receber o Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos, João Teixeira Leite garantiu ainda ao Correio do Ribatejo que se esta pretensão se concretizar não anulará a instalação na antiga Escola Prática de Cavalaria do MAVU – Museu de Abril e dos Valores Universais, apresentado em 2023 à Associação 25 de Abril.

Reconhecido por todos como de elevada relevância histórica e civil, num contexto particularmente crítico para as democracias e os valores humanos, o MAVU centra-se na necessidade de contribuir para a reflexão sobre os valores universais e os direitos humanos que em Portugal sustentaram as ideias liberais, o republicanismo e a implantação da República, bem como os que estão na base do 25 de Abril.

Pretende também desenvolver um trabalho com a comunidade envolvente, centrada em torno das questões da participação, da liberdade e da cidadania e realçar o papel de Santarém e da Escola Prática de Cavalaria no contexto da defesa da democracia, dos valores universais e dos direitos Humanos, assim como criar uma nova centralidade na cidade de Santarém, potenciando um espaço museológico vivo e vivido, local de encontro e de exercício de cidadania. JPN

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