Que a tauromaquia é um campo fértil para a propagação de modas ninguém terá a menor dúvida, bastando aos mais incrédulos que analisem a evolução do toureio equestre em Portugal para chegarem facilmente a esta conclusão. Outras modas…

A maioria dos cavaleiros portugueses tem vindo a mandar às malvas as bases da ortodoxia do toureio equestre, abdicando mesmo de alguns dos seus pressupostos fundamentais, trocando-os, sem qualquer tipo de relutância, pelas modernices apresentadas nas arenas nacionais por rejoneadores e afins que fintam as regras do toureio como quem finta os toiros e o próprio público. Atente-se no sublime exemplo de um tal Emiliano Gamero, que com o seu traje mexicano tem feito as “delícias” dos aficionados lusos em qualquer praça onde se apresenta.

E não creiam que exagero, pois este rejoneador apresentou-se na pretérita temporada em alguns dos principais tauródromos portugueses, e já “ameaçou” que ali repetirá a sua presença em 2023. O Farpas Blogue refere-se-lhe nestes termos: “Depois de nesta temporada ter trazido aos portugueses uma lufada de ar novo e ter marcado a diferença, Emiliano Gamero prepara-se para voltar a “revolucionar” o meio taurino nacional em 2023.”

Nos cartéis portugueses pontificam diversos rejoneadores, espanhóis e mexicanos, enquanto os cavaleiros marialvas ficam em casa sem contratos. Certamente que as actuações de toureiros estrangeiros pouco conhecidos hão-de trazer vantagens para quem os representa e contrata, mas a questão é saber se trazem benefícios para a tauromaquia lusa, especialmente no que concerne ao toureio equestre nacional.

Propositadamente evitei assistir a corridas onde se apresentavam algumas destas novas “coqueluches” do toureio a cavalo em Portugal, tendo optado por ir a algumas praças desmontáveis, onde tive o ensejo de apreciar toureiros pouco vistos nos tauródromos mais mediáticos e que, pelo facto de terem dificuldade em chegar à imprensa, passam quase despercebidos. O que é pena, porque por aí militam bons cavaleiros e bons toureiros, coisa pouco fácil de conciliar em apenas uma pessoa.

Cavaleiros como Duarte Pinto, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Gilberto Filipe, “Parreirita Cigano”, Ana Batista, António Maria Brito Paes, David Gomes, Duarte Fernandes, entre outros, por onde andaram, que tourearam tão pouco em arenas portuguesas?

O futuro ditará as consequências desta moda que vai enchendo os bolsos a alguns, mas, decerto, desvalorizará a nossa escola equestre. Não pode ser bom para todos, não é?

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