No decurso desta temporada de efectiva retoma da actividade tauromáquica, que, contudo, ainda está longe da normalidade pré-pandémica, têm-se realizado excelentes corridas de toiros, confirmando o apuro de forma de muitos dos cavaleiros participantes, bem assim como dos valorosos Grupos de Forcados. Como se compreenderá, para o sucesso de uma corrida muito pontifica a qualidade dos toiros lidados, o que também tem valorizado sobremaneira estes espectáculos. Toiros bem-apresentados, sérios e poderosos a pedirem contas a quem os enfrentou e a transmitirem muita emoção para as bancadas.

No passado sábado, dia 14 de Maio, o Montijo foi cenário de mais uma notável tarde taurina. Os toiros da ganadaria Passanha cumpriram muito satisfatoriamente, quer ao nível de apresentação, quer quanto a condições de lide, destacando- se pela negativa apenas o que foi lidado em quinto lugar.

Em relação ao cartel profusamente anunciado faltou Pablo Hermozo de Mendoza, por se haver lesionado dois dias antes da corrida num treino na sua “finca”, mas nem esse facto diminuiu o interesse dos aficionados, que afluíram à Praça “Amadeu Augusto dos Santos” em número muito interessante, e muito menos fragilizou o cartel, que tão boa conta deu do recado. Em substituição do rejoneador navarro actuou Francisco Palha, toureiro que se empenha sempre em sacar o triunfo e que se apresentou no Montijo fortemente moralizado pelo anterior sucesso alcançado em Salvaterra de Magos.

Segundo a crítica da especialidade que consultámos – dada a impossibilidade de ali comparecermos – Luís Rouxinol montou cátedra na lide dos seus dois oponentes, brilhando na vistosa brega com que preparou cada sorte e no poder evidenciado ao colocar a ferragem em terrenos do máximo compromisso. Marcos Bastinhas rubricou uma excelente actuação frente ao segundo da ordem, concedendo sempre a primazia de investida ao seu oponente e a cravar ferros de grande qualidade. Frente ao quinto, que constituiu a excepção para confirmar a regra, Bastinhas limitou-se a cumprir em plano de muita dignidade. Francisco Palha, não receou comparações com Pablo Hermoso de Mendoza e, fiel ao seu estilo tão característico, consumou duas lides de elevado mérito técnico e artístico, sendo aplaudido com muito entusiasmo pelo público que sabe valorizar o empenho e a verdade deste consagrado marialva.

Assistiu-se também a uma grande tarde dos forcados que enfrentaram esta exigente corrida de Passanha. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo foram solistas Armando Costa, que consumou a sua sorte ao terceiro intento, e Tiago Feitor, que se fechou bem numa única tentativa; pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete João Coimbra concretizou a sua sorte à primeira tentativa, com boa ajuda do Grupo, e o valoroso Cabo Marcelo Lóia consumou a sua sorte apenas à terceira, mas após duas tremendas tentativas, em que evidenciou os recursos técnicos que sobejamente lhe reconhecemos; Os valentes rapazes dos Académicos de Coimbra, Grupo que vem marcando pontos pela qualidade que demonstra, concretizaram as duas pegas ao primeiro intento, por intermédio de Francisco Gonçalves, numa sorte soberba, e João Tavares, que esteve, igualmente em grande plano.

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