Grimoaldo Alhandra Duarte, figura maior da memória cultural e agrícola de Santarém, faleceu esta quinta-feira, 12 de Fevereiro, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, onde se encontrava a residir.
Profundo conhecedor da história local, antigo aluno da Escola de Regentes Agrícolas e colaborador do Correio do Ribatejo durante várias décadas, Grimoaldo Duarte construiu um legado singular de preservação da memória ribatejana, cruzando testemunho pessoal, investigação e divulgação histórica.
O seu nome ficará indelevelmente ligado à obra ‘Ao Rasgar da Ganga’, estudo onde fixou as vivências, tradições e práticas formativas da antiga Escola de Regentes Agrícolas, hoje Escola Superior Agrária de Santarém. Nesse trabalho recuperou episódios da vida académica, práticas agrícolas, rituais estudantis e o ambiente social de uma instituição que considerava “um modelo” na formação técnica e humana.
Autor de outros estudos de referência, como a ‘História da Académica de Santarém’, o ‘Diário de um Charrua’ e um ‘Roteiro da Cidade de Santarém’ dedicado à cidade do seu tempo, Grimoaldo Duarte destacou-se pela preocupação em registar factos, nomes e episódios que, sem esse esforço, se perderiam na memória colectiva.
Apaixonado por Santarém, dizia conhecer “todos os becos e ruas” da cidade e gostava de evocar uma urbe viva, feita de convívio, jogos de rua e forte dinâmica associativa. Nas suas recordações surgem frequentemente a vida no Largo do Seminário, a actividade desportiva da Associação Académica e as grandes festas estudantis que mobilizavam a sociedade scalabitana.
A sua longa vida atravessou várias gerações e regimes, mantendo sempre um olhar atento sobre a evolução da cidade e das suas instituições. Para muitos, foi uma fonte oral privilegiada sobre o século XX ribatejano.
Com a sua morte, Santarém perde um dos seus mais dedicados guardiões de memória.
