Foto ilustrativa

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) criticou hoje a pré-triagem telefónica para grávidas antes de irem às urgências, apelando às mulheres e aos profissionais de saúde para resistirem “a mais este passo no atropelo dos direitos das grávidas”.

Desde hoje que as grávidas da Região de Lisboa e Vale do Tejo, incluindo o Hospital Distrital de Leiria, têm de ligar para a Linha SNS Grávida antes de recorrerem à urgência hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia.

Para o MDM, esta medida visa “criar mais obstáculos que podem atrasar o acesso a cuidados urgentes e indispensáveis, colocando vidas em perigo e fragilizando o direito inalienável à saúde e ao acompanhamento seguro durante a gravidez e o pós-parto”.

Nesse sentido, apela às mulheres para exigirem o atendimento, independentemente das circunstâncias, e aos profissionais de saúde para não negarem o atendimento, “mesmo sem indicação da Saúde 24”.

“As mulheres não são algoritmos. Cada gravidez é única, com riscos que não podem ser avaliados através de uma escala universal ou à distância. A saúde das grávidas e dos seus bebés deve ser uma prioridade absoluta e não um peão no ‘jogo de gestão’ desumano”, alerta em comunicado.

Manifestando a sua “profunda preocupação” com esta medida, o MDM afirma que esta apenas visa “ocultar as consequências de anos de desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Realça que este desinvestimento limita “hoje, gravemente”, a capacidade de resposta do SNS em áreas fundamentais para a saúde das mulheres, especialmente na saúde materna.

“Os encerramentos de urgências obstétricas e ginecológicas, blocos de parto e urgências pediátricas, devido à falta de profissionais de saúde, são exemplos claros de uma política que negligencia os direitos das mulheres”, salienta.

A associação de mulheres, fundada em 1968, reitera o seu compromisso na defesa de “um SNS universal e com equidade, com mais financiamento e contratação de profissionais, que respeite os direitos das mulheres e garanta o atendimento digno e seguro para todas”.

O novo modelo das urgências de Obstetrícia e Ginecologia arrancou hoje em fase piloto em 11 Unidades Locais de Saúde de Lisboa (ULS) e Vale do Tejo e de Leiria e em três unidades que aderiram voluntariamente ao projeto (Hospital de Gaia, Hospital de Portalegre e Centro Materno Infantil do Norte).

Segundo o Ministério da Saíde, “ao final de três meses haverá lugar a uma avaliação do impacto, para que o plano possa ser estendido a todo o país”.

As ULS envolvidas nesta primeira fase são Santa Maria, São José (Maternidade Alfredo da Costa), Lisboa Ocidental (Hospital S. Francisco Xavier), Amadora Sintra, Odivelas/Loures (Hospital Beatriz Ângelo), Estuário do Tejo (Hospital Vila Franca de Xira), da Lezíria (Hospital de Santarém), Médio Tejo (Hospital de Abrantes), Oeste (Hospital das Caldas da Rainha), ULS Leiria e Hospital de Cascais.

A partir de janeiro de 2025, as ULS da Península de Setúbal (Almada-Seixal, Arco Ribeirinho e Setúbal) irão também aderir ao projeto.

Na portaria publicada na sexta-feira em Diário da República, assinada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, é informado que serão colados cartazes à porta das urgências a informar desta necessidade de pré-triagem telefónica, indicando que apenas serão atendidas situações urgentes e exemplos concretos desses casos que podem ocorrer durante a gravidez, nas primeiras seis semanas após o parto ou em qualquer altura da vida

Leia também...

𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐚𝐬 𝐉𝐮𝐯𝐞𝐧𝐭𝐮𝐝𝐞𝐬 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐚 𝐀𝐛𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬

O Parque Urbano de S. Lourenço, em Abrantes, volta a receber mais uma edição do Festival das Juventudes que se realiza nos dias 4,…

Lojas Goldenergy: há sempre uma perto de si

Já alguma vez ouviu falar nas lojas da Goldenergy? Esta comercializadora tem ganhado cada vez mais espaço no mercado livre de eletricidade em Portugal…

Ameaça funcionários de empresa de energia com arma de fogo e acaba detido com 62 quilos de cannabis

Na passada quinta-feira em Torres Novas, na sequência de ameaça com arma de fogo a funcionários de uma empresa de fornecimento de energia, foi…

Mulher encontrada morta na sua residência em Almeirim

Actualizada às 23h30 A Polícia Judiciária está em Almeirim a investigar a morte de uma pessoa do sexo feminino, com cerca de 65 anos,…