O movimento proTEJO rejeitou a construção de mais açudes e barragens no rio Tejo defendidos no Projeto Tejo e aprovou um memorando onde aponta os seus impactos negativos ecológicos e económicos.

“O proTEJO defende o rio Tejo livre dos açudes e das barragens do Projeto Tejo [projecto de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste] e através deste memorando pretende fazer uma reflexão sobre aquilo que é apresentado, indicando aquilo que não é dito (…) e algumas das falácias apresentadas”, além de “sugerir um conjunto de alternativas quer sobre a oferta quer sobre a procura da água”, disse hoje à Lusa Paulo Constantino, porta-voz do movimento ambientalista com sede em Vila Nova da Barquinha.

De acordo com um dos mentores do Projeto Tejo, Jorge Froes, aquele projecto prevê um investimento 4,5 mil milhões de euros para fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal nos próximos 30 anos.

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O objectivo é criar um “espelho de água contínuo através da construção de seis açudes até quatro metros de altura entre Abrantes e Lisboa, com escada passa-peixes, que vão tornar o Tejo navegável, e com estações elevatórias que vão permitir bombar a água para as encostas da Lezíria e também da zona Oeste”, indicou Jorge Froes, para quem esta é “a solução” para resolver o problema da falta de água.

Por seu lado, Paulo Constantino defendeu que o Projeto Tejo seria gerador de “impactos negativos em termos ambientais por interromper ciclos ecológicos para a sustentabilidade da vida e da biodiversidade” e até “em muita da actividade económica, especialmente na localizada no Alto Tejo e Médio Tejo”.

Os ambientalistas do proTEJO apontam a uma “irracionalidade económica e social do Projeto Tejo”, tendo feito notar que os investimentos de 4,5 mil milhões de euros que prevê “serão oito vezes superiores ao valor acrescentado bruto anual da agricultura com rega intensiva na região hidrográfica do Tejo e Oeste”, ou seja, “um gasto desproporcionado de dinheiros públicos”.

Actualmente, defende o proTEJO, “não existem previsões de maiores pressões de necessidade de água na agricultura que justifiquem a construção de novos açudes e barragens, uma vez que as superfícies irrigáveis e regadas se têm vindo a reduzir no Ribatejo e Oeste, apesar de existirem disponibilidades hídricas superficiais e subterrâneas para a sua expansão”.

No seu ‘Memorando Por um Tejo Livre’, o proTEJO “sugere um conjunto de alternativas quer sobre a oferta da água quer sobre a procura, no sentido de haver outras alternativas que não a construção de barragens” e que passam por factores como a “captação de mais e melhor investimento produtivo”, e pela “formação e incentivos à utilização das melhores práticas e tecnologias disponíveis para garantir a competitividade económica das explorações agrícolas, nomeadamente, a eficiência hídrica e as práticas agroecológicas”.

Estas medidas, defende mo movimento, “terão um custo muito inferior ao do Projeto Tejo e beneficiarão um número mais alargado de agricultores”, sendo que, “além de reduzirem as necessidades hídricas, aumentam a fertilidade do solo, favorecem a biodiversidade e reduzem o recurso a químicos de síntese e combustíveis fósseis, contribuindo no seu conjunto para a redução da poluição e das emissões de gases com efeito de estufa”.

Com o memorando, o movimento ambientalista pretende ainda “alertar para os impactes ecológicos negativos provocados pelos novos açudes e barragens ao fragmentarem os únicos 120 quilómetros de rio Tejo livre”, tendo reiterado que “todos os objectivos traçados para o Projeto Tejo podem ser atingidos com investimentos em projectos alternativos que devem ser estudados e avaliados de modo a minorar os impactos negativos sobre o funcionamento dos ciclos ecológicos”.

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