Padre Francisco Ruivo afirma, no contexto do V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que se assinalou no passado domingo,  que “não é possível repensar a Igreja sem uma pastoral dos idosos”.

O diretor do Serviço Nacional da Pastoral dos Idosos, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), manifestou preocupação por “muitos idosos viverem numa profunda solidão, num profundo abandono”, e destacou o “grande desafio” da “’revolução’ da gratidão e do cuidado”.

“Eu creio que, hoje, dos maiores tormentos que se vive é de facto muitos idosos viverem numa profunda solidão, num profundo abandono. Nos diversos setores, não só nas suas casas, mas, muitas vezes, até nos próprios hospitais, completamente abandonados pelos familiares”, disse o padre de Santarém, Francisco Ruivo.

“Nessa perspetiva, eu diria que não é possível repensar, hoje, a Igreja sem uma pastoral dos idosos.”

O diretor do Serviço Nacional da Pastoral dos Idosos, da Igreja Católica em Portugal, assinala que “a vida tem de ser vivida, até ao fim, “como um dom”, e cada um “dá o melhor de si mesmo”, mas, “depois, à partida, nas cidades, nos grandes centros, não há o sentido da vizinhança”.

“Há, sem dúvida, uma profunda solidão, uma profunda indiferença, um desconhecimento muito grande, e a pessoa está dotada ao abandono. As aldeias ainda têm uma coisa que parece extremamente belo e, tem de ser valorizada, cada vez mais, que é precisamente o sentido da vizinhança”, salientou, recordando uma história de duas idosas, que encontrou no final de uma Missa, para exemplificar esse “sentido da vizinhança, da proximidade, da inquietação, da preocupação”.

O padre Francisco Ruivo recordou, “uma coisa importante”, que o anterior presidente da Academia Pontifícia para a Vida da Santa Sé, o arcebispo italiano D. Vincenzo Paglia, disse, que “a própria solidão é, muitas vezes, a antecâmara da morte, e isso não pode acontecer”.

A 26 de Julho de cada ano, a Igreja Católica faz memória de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Santa Maria, associado a esta data, em 2021, o Papa Francisco instituiu o ‘Dia Mundial dos Avós e dos Idosos’, a celebrar no quarto domingo de julho, em 2025 é no dia 27.

Leão XIV publicou a sua primeira mensagem para a celebração do Dia Mundial dos Avós e Idosos, denunciando a solidão e abandono dos mais velhos, na sociedade e nas comunidades católicas, e apelou a uma “mudança de atitude”, que promova maior responsabilidade por parte de toda a Igreja, e assinala que cada paróquia, associação ou grupo eclesial “é chamado a tornar-se protagonista da ‘revolução’ da gratidão e do cuidado”.

O padre Francisco Ruivo, para além das “grandes referências bíblicas sobre a importância do idoso na história e como Deus vai intervindo”, destaca essa expressão do Papa da “’revolução’ da gratidão e do cuidado”, que “é um grande desafio, colocado a todos”.

“E essa imagem ficou-me percebendo que os idosos não são o passado, como muitas vezes se diz, os jovens não são o futuro, mas o idoso e os jovens é já no hoje. Não podemos fazer um hiato no percurso da nossa vida, a achar que os idosos são o passado e que os jovens são o futuro. Não, é já hoje”, explicou o diretor do Serviço Nacional da Pastoral dos Idosos da CEP.

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