Se estivéssemos em 1954, a primeira Feira do Ribatejo já se tinha realizado e a cidade entusiasmada, estaria a comentar como tinham decorrido os dias anteriores, de 23 a 30 de Maio.
Vivíamos um tempo em que as feiras, ditas tradicionais tinham muita força económica, pois as populações de fora da cidade, vinham até cá para fazerem as suas compras e passar um dia diferente. A capital do Ribatejo tinha dois destes eventos. A feira do Milagre, que se realizava no domingo de Pascoela e a da Piedade, no segundo Domingo de Outubro. Acontecia, que a primeira estava em declínio, pelo que começou a pensar-se em algo de novo para a substituir.
O Inverno do ano anterior foi passado de reunião em reunião, as ideias foram aparecendo, a par com o entusiasmo e de tal forma que, na última semana de Maio, cortou-se a fita da 1ª Feira do Ribatejo.
O presidente da primeira Comissão, foi o Capitão Joaquim Barros e Matos, que era vice da câmara municipal, com a ajuda dos vereadores Caetano Marques dos Santos e Henrique Dias Vigário. Foi pedida a colaboração ao Dr. Hilário Barreiros Nunes, intendente pecuário, e ao Dr. Joaquim Portugal, director da Estação Zootécnica Nacional. O lavrador José Infante da Câmara, representou o Grémio da Lavoura e Augusto Sobral Bastos o do Comércio.
Celestino Graça assumiu o cargo de secretário geral da comissão executiva da feira, assessorado por Joaquim Campos, José de Sousa Rafael e Alfredo Ribeiro Noel de Oliveira.
Foram estes homens que deram o empurrão inicial, que ousaram acreditar que algo diferente e bom se poderia criar para a cidade, mas é justo referir que, desde a primeira hora, muitos outros se lhes juntaram, para colaborar ao êxito da iniciativa.
O acolhimento foi de tal forma grande que, passados dez anos a Feira do Ribatejo, mostrou a todo o país a sua “filha” Feira Nacional da Agricultura.
Um salto no tempo e o CNEMA aí está, para a acolher mais um ano, com a modernidade que os tempos actuais exigem, obviamente longe do orçamento de cento e vinte mil escudos (600 euros) que teve a primeira edição, de há setenta e dois anos.
Uma explicação para o título deste Miradouro.
O contar de uns para outros extingue-se com o passar dos anos, pelo que fica aqui a sugestão aos actuais dirigentes do CNEMA.
Um Mural edificado num dos relvados, onde fiquem perpetuados os nomes dos que, há mais de sete décadas abriram caminho para que a FNA tenha a projecção que tem nos tempos de hoje.
A pedra resiste à erosão do tempo. Lembra aos vindouros a origem das coisas. Fica para além da perenidade das vidas. Demonstra sobretudo que, na preservação da memória, está a cultura de um povo.
Aqueles, cujos nomes escrevi, merecem-no muito e representam também as centenas de outros que com eles colaboraram.
Santarém nunca foi uma terra ingrata. Vamos a isso?
Boa Feira a todos.
