Um dos momentos mais aguardados na anual Gala Vinhos do Tejo é o anúncio do Enólogo do Ano. Organizado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), em conjunto com a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, o evento aconteceu na passada sexta-feira, dia 21 de junho, na presença de 420 pessoas, e o eleito foi Pedro Gil, director de enologia da Adega do Cartaxo, empresa que este ano celebra 70 anos de atividade.

Como não há duas sem três, esta foi já a terceira vez que Pedro levou este troféu para casa, tendo acontecido, há dez anos, em 2014 e no ano seguinte, em 2015. Enólogo do Ano foi um dos quatro Prémios Vinhos do Tejo, sendo esta uma distinção que celebra a técnica, mas também a paixão, a dedicação e magia na arte de transformar uvas em vinhos, num portefólio amplo e bastante eclético, como é o da Adega do Cartaxo. O trabalho de Pedro Gil é, sem qualquer dúvida, entre equipa e pares, sinónimo de muito trabalho, sempre na procura da excelência.

O resultado está à vista, com os vinhos da Adega a atingirem patamares de destaque cada vez maior, a nível nacional e internacional. No futebol, carreira a que se dedicou tantos anos, chegou à 2ª divisão nacional, mas nos vinhos, são várias as vezes que se destaca em primeiro lugar, junto dos jurados, críticos e consumidores, conquistando prémios em variadíssimos concursos por todo o mundo.

Desde criança sempre pensou ser enólogo ou tinha outro desejo, outro sonho?

Tinha outro desejo, que era ser jogador de futebol, que era isso que eu fazia durante muito tempo, e era seguir educação física. Entretanto, à medida que fui crescendo, as coisas foram mudando, não obstante ter tido contacto desde muito cedo com os vinhos porque os meus avós paternos tinham uma pequena adega, vinhas e uvas, e pisava as uvas como muitas crianças na altura, mas de facto a minha orientação era mais para o futebol, era seguir a educação física até onde desse.

Depois, em determinada altura, o objectivo começou a ser entrar para a Escola Superior Agrária de Santarém e aí havia a especialização em vinhos, e foi aí, mas foi uma decisão já mais tardia.

Há quanto tempo está na Adega do Cartaxo?

Há 29 anos.

Como é um dia de um enólogo na Adega?

Eu, para além de enólogo, sou diretor de produção e, portanto, acabo por partilhar tarefas. Consigo conciliar bem as duas tarefas, apesar de a Adega ter muito movimento. Começo a provar vinhos logo de manhã, às oito, para definição de lotes… No fundo, é uma programação, eu diria ‘normal’ na adega, acompanhando os processos e fazendo ensaios, porque, depois, a parte de direcção de produção tem já tem outros aspectos que têm a ver com a programação e também, a parte da produção, de engarrafados, das linhas…

Já tinha recebido este prémio, ‘Enólogo do Ano’ por duas vezes. Que impacto tem este novo prémio, o terceiro, para si e para a Adega?

Eu gosto de dizer que não ando à procura de prémios: trabalho diariamente e consistentemente para fazer cada dia melhor. Encaro os prémios como o resultado do trabalho que nós desenvolvemos e isso é sempre gratificante. Depois, para a adega, é inegável que trás sempre visibilidade.

Para mim e para a adega, desde que saibamos aproveitar essa visibilidade, é sempre importante. Acredito que possa ajudar a, pelo menos, as pessoas ficarem mais despertas para os nossos produtos.

A Adega do Cartaxo é uma das maiores produtoras do Tejo: considera que os prémios dão o devido reconhecimento, que não só produzem em massa, mas com a devida qualidade?

Sim sem dúvida. O reconhecimento acaba por ser esse mesmo e a qualidade é sempre o nosso objectivo maior.

Atendendo à conjuntura económica e, até, aos desafios climáticos, como tem sido gerir a produção de vinho?

Nós sentimos que as vindimas se fazem, actualmente, relativamente mais cedo. Mas isso não tem só a ver com as alterações climáticas, tem a ver com a diversificação de produtos: por vezes, temos de colher em função do produto que vamos fazer, mas também temos de levar em linha de conta a introdução de novas castas. Dizer que, por exemplo, quando há excesso de calor, durante vários dias, esse facto tem uma implicação não na qualidade, mas, por vezes na quantidade do vinho que é produzido.

Na sua opinião, a Adega tem um impacto económico na região?

Sim, acredito que sim. Primeiro porque não actuamos apenas no município do Cartaxo. Temos operação directa no Cartaxo e Azambuja e ainda abarcamos alguns territórios vizinhos destes dois concelhos, nomeadamente, Rio Maior e Santarém. Portanto, e seguramente, sendo esta uma adega a ter um volume de negócios de cerca de 11 milhões de euros, será, porventura, uma das maiores empresas da região e acredito que tem um peso importante.

Têm feito alguma alteração na produção de forma a atrair o público internacional?

Sim, nós tentamos sempre diversificar e acompanhar as tendências. Naturalmente que a parte comercial, aliada à produção, tenta dar resposta àquilo que é a procura do mercado.

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