O Centro de Convívio do Soupo (Alenquer) está em digressão pela região do Ribatejo com o seu mais recente espectáculo “Há Revista P´ra Si!”, com datas agendadas para os dias 28 de Março (Grupo Recreativo Flor de Maio Labrugeira), 11 de Abril (União Desportiva e Recreativa de Casais Novos) e 09 de Maio (Centro Recreativo Cultural e Desportivo de Cadafais).

A revista à portuguesa moderna conta com texto original de André Camilo e Inês Marto, onde a actualidade social, política, desportiva e artística surge em números cómicos, constituindo um hino à vida e à alegria de ser-se português. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, Tiago Pereira, presidente do Centro de Convivo do Soupo há 10 anos e actor integrante dos espectáculos produzidos pelo Centro, revela os bastidores da produção e desvenda os segredos da mesma.

Como surgiu a ideia de criar o “Há Revista P’ra Si!”?

A nossa associação apresenta um espectáculo anualmente, há 15 anos. Mas desde a pandemia que optámos por, em vez de fazer um espectáculo por ano, fazer um com uma duração maior para poder apresentá-lo em outros locais. E o “Há Revista P’ra Si!” vem no seguimento dessa mesma tradição.

Qual é a importância de manter viva a tradição da revista à portuguesa numa associação local?

O impacto para nós, de algum modo, é dar a conhecer o nosso trabalho. Porque durante 15 anos fazíamos os espectáculos sempre no mesmo local e muito pouca gente sabia da nossa existência e do nosso trabalho. Daí, ultimamente, termos feito muitos espectáculos fora da aldeia.

Com um elenco composto por 14 intérpretes, como foi o processo de equilibrar artistas já conhecidos do público com novas promessas da representação?

Torna-se fácil porque como já temos alguns intérpretes com mais experiência, estes acabam por ser um apoio para os que estão agora a começar. Nós quando distribuímos trabalhos e tarefas tentamos sempre que os mais novos não estejam sozinhos em palco. Ter alguém que já tenha mais experiência para eles é uma segurança, caso às vezes haja um esquecimento ou se percam em alguma coisa e acabam por beber muito daquilo que lhes dizemos.

A crítica política é uma das bases desta produção. Como é que conseguem manter o texto do espectáculo actualizado com o que acontece no dia a dia do país?

É sempre um trabalho complicado, porque o espectáculo de hoje pode estar com um texto e daqui a uma semana pode ter acontecido alguma situação, algum acontecimento e ter de se alterar. Ou porque o político já não está no cargo, ou porque pode ter acontecido alguma diferente ao fim de um mês. É algo que é sempre falado e comunicado entre nós. É um trabalho quase diário.

Qual tem sido o feedback do público e da crítica?

A primeira revista que nós fizemos de digressão foi a revista anterior e há sempre aquele receio. Será que o público agora vai gostar desta? Será que vai ser melhor? Será que vai ser pior? Mas tem sido um espectáculo muito bem aceite. As pessoas dizem que é um espectáculo que é tão rápido e está sempre a entrar e a sair gente e tem tanto movimento, que não se apercebem da duração do mesmo. Tem sido muito positivo.

Num mundo dominado pelo digital, porque é que a revista à portuguesa continua a ser um dos géneros que mais consegue encher salas e fazer rir as pessoas?

Eu acho que é muito pelo divertimento. Actualmente, ao nível dos autores que escrevem, já se nota muito que a própria escrita para revistas acaba por ter muitas piadas que já se vê nas redes sociais. Às vezes quando estamos a escrever o texto, temos o público a responder àquilo que nós vamos dizer porque já viram num post no Facebook ou num lado qualquer. Mas acima de tudo é mesmo pelo divertimento. É uma hora em que as pessoas estão ali e que se esquecem um pouco o que se passa no dia-a-dia e dos seus problemas.

O objectivo é que esta revista “fique na memória”. Qual é a mensagem principal que esperam que o público leve consigo no final do espectáculo?

Queremos sempre que o público leve alguma coisa do espectáculo e às vezes é difícil porque cada pessoa absorve uma coisa diferente, recorda-se de momentos diferentes. Portanto, torna-se complicado às vezes conseguirmos especificamente que a pessoa leve algo mais concreto. Nós temos uma música no final de primeiro acto que diz: “vem para o palco e junta-te a nós”. Portanto, é um bocado fazer com que as pessoas percam o receio, que não tenham medo de experimentar a revista à portuguesa, porque há muita gente que sente curiosidade, mas às vezes tem aquela vergonha de estar em frente ao público. Tentamos mostrar que todos somos capazes.

 

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