Emblema escalabitano vai presidir ao conselho fiscal da recém-criada Associação Super XV – Rugby Portugal que passa a organizar a competição, num modelo renovado com mais visibilidade para os jogadores e oportunidades para os clubes. 

 

A Associação Super XV – Rugby Portugal vai organizar e dar nome ao campeonato português de râguebi a partir desta época. A informação foi confirmada pelos clubes fundadores e a Federação Portuguesa de Rugby (FPR) à agência Lusa, no passado dia 6 de Agosto. 

Entre os clubes fundadores desta mudança marcante na modalidade está o Rugby Clube de Santarém (RCS) que, após assegurar uma manutenção igualmente histórica na Divisão de Honra, vai passar a gerir o campeonato nacional de râguebi durante os próximos anos. 

Em declarações ao Correio do Ribatejo, Nuno Serra, presidente do RCS, considera esta mudança como um “passo importante e decisivo” para o râguebi nacional. 

Além de ser um dos membros fundadores, o emblema escalabitano vai presidir ao conselho fiscal da Associação Super XV – Rugby Portugal, através da figura de Nuno Serra. Um cargo que, segundo o próprio, mostra o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo clube, por parte dos seus pares, e constitui uma forma de o RCS levar as marcas do concelho e distrito de Santarém mais longe e a “outros patamares”. 

O protocolo que delega à associação de clubes a organização do principal escalão competitivo português foi assinado na terça-feira, 11 de Agosto, na sede da FPR. Com este acordo, a Associação Super XV – Rugby Portugal passa a deter os direitos do campeonato e a gerir a imagem deste, enquanto a FPR continuará a ter competência regulamentar. 

Para o dirigente desportivo, a articulação de competências entre estes dois organismos “tem tudo para correr bem”, uma vez que permite à FPR focar-se nas outras divisões, escalões e situações da modalidade, deixando a competição máxima entregue à associação. 

A actual Divisão de Honra passa a ser denominada “Super XV” e o modelo competitivo volta a sofrer alterações, com o campeão nacional a ser, novamente, apurado através de uma final, após dois anos em que o campeonato não incluiu fases a eliminar. 

Todos os clubes irão defrontar-se numa volta única, que dá início à competição, e os oito primeiros classificados apuram-se para a fase final, o ‘top 8’, onde serão distribuídos em dois grupos de quatro equipas que se defrontam, novamente, numa volta única.

Nuno Serra considera que o novo formato competitivo está bem estruturado, dando oportunidades e visibilidade a todos os clubes que integram o campeonato e indo ao encontro das suas expectativas. 

“Vai permitir também aos jogadores, que muitas vezes saíam de Santarém porque queriam ir para clubes de Lisboa para terem mais visibilidade, que agora não precisem de o fazer. Vão ter todos a oportunidade de jogar contra todos os clubes, serem vistos pelos treinadores e pelo seleccionador nacional. Vão ter a oportunidade de jogar em todos os palcos, de uma forma mais profissional e que lhes permite realizarem-se como desportistas”, vincou. 

Relativamente aos benefícios económicos de que o RCS pode beneficiar com esta nova imagem e centralização dos direitos da prova, o presidente da formação escalabitana acredita que a competição constitui uma oportunidade para os patrocinadores apostarem no clube. 

“Esperemos que haja mais patrocinadores, empresas, instituições e organizações que apoiem o Rugby Clube de Santarém, porque é importante a região ter uma equipa no escalão maior da modalidade”, defendeu. 

Questionado sobre se este passo dado na modalidade será o início de uma profissionalização definitiva em Portugal, Nuno Serra admite que será difícil a curto prazo. 

“É um desporto que envolve poucos jogadores e patrocinadores. Para além disso, há muitos atletas que jogam râguebi ao mais alto nível que não querem ser profissionais e que querem manter as suas profissões. Haverá alguma dificuldade nessa profissionalização total”, aponta. 

No entanto, o presidente do RCS acredita que com este novo modelo competitivo provocará uma evolução da modalidade no panorama nacional. 

“O râguebi tem de evoluir tal como noutros países. Quem quer ser profissional e chegar a esse nível competitivo, tem de o conseguir e tem de ter essas oportunidades”, conclui. 

O Campeonato Português de Râguebi 2026/2027 arranca no dia 10 de Outubro e será disputado por Benfica, Cascais, Direito, Belenenses, CDUL, São Miguel, Agronomia, Técnico, Académica, CDUP, RC Santarém e AR Setúbal. A competição disputa-se desde 1959 sob a alçada da FPR.

O Benfica é o actual campeão nacional, após vencer a Divisão de Honra 2025/26, colocando um ponto final num ‘jejum’ de 25 anos sem festejar a conquista do principal título da modalidade em Portugal.

Além do Benfica (10 títulos), todos os anteriores campeões nacionais integram o futuro Super XV: CDUL (20), Direito (12), Belenenses (10), Cascais (seis), Académica (quatro), Técnico (três) e Agronomia (dois). 

Ricardo Santos Pereira, 

com Lusa

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