A directora-geral da Saúde apontou uma “tendência aparente” para o aumento do número de casos de contágio pelo novo coronavírus, que estão a ocupar entre 70% e 90% da capacidade de internamentos hospitalares.

Graça Freitas registou que há “uma tendência aparente para que os números [de casos de contágios] vão aumentar”, assinalando que as últimas duas semanas, atípicas por terem tido menos dias úteis, provocam variações.

Portugal continental tem 417 surtos activos de contágio pelo novo coronavírus, sobretudo em lares de idosos, afirmou, frisando que nesses lares a vacinação será adiada por pelo menos 28 dias.

“Num lar com um surto activo, que tenha casos nesse momento, obviamente que a vacinação é adiada”, declarou Graça Freitas durante a conferência de imprensa de acompanhamento da covid-19 em Portugal.

A responsável da DGS salientou que “ninguém vai ficar para trás” nos lares de idosos, estruturas onde a campanha de vacinação começou na segunda-feira, uma vez que um surto é dado como terminado 28 dias depois de se ter registado o caso mais recente e que a vacinação é então reagendada.

“É apenas um adiamento, porque não se vacina em surto”, reiterou, indicando que houve lares para onde esteve prevista vacinação esta semana, que entretanto registaram casos e que por isso tiveram que ficar para depois.

Dos 417 surtos activos, 284 estão na região de Lisboa e Vale do Tejo, 55 na região norte, 29 no Alentejo, 25 na região Centro e 24 no Algarve, “sobretudo identificados em estruturas residenciais para idosos, menos em escolas e alguns em instituições de saúde”.

Graça Freitas afirmou que a nova variante do SARS-CoV-2 primeiro identificada no Reino Unido, que circula já em Portugal e em outros países, está a ser estudada pelas autoridades de saúde e pela comunidade científica portuguesas. Para já, sabe-se que tem uma maior capacidade de se propagar, embora não se identifique que seja “mais grave, agressiva ou virulenta”. No entanto, só por essa maior capacidade de contagiar, “pode ter um risco acrescido” no aumento de hospitalizações e mortes, assinalou.

A directora-geral da Saúde afirmou que o Serviço Nacional de Saúde, mesmo com uma subida do número de casos “ainda terá certamente capacidade de se adaptar, reorganizando a sua oferta de cuidados”.

Questionada sobre um eventual alargamento do prazo entre a primeira e a segunda toma da vacina da Pfizer/BioNTech, que já começou a ser aplicada em Portugal, Graça Freitas admitiu que o assunto não está fechado, mas que depende dos fabricantes, das autoridades do medicamento europeia e portuguesa e da evidência científica que exista para apoiar tal medida.

Portugal contabiliza pelo menos 7.286 mortos associados à covid-19 em 436.579 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O estado de emergência decretado em 09 de Novembro para combater a pandemia foi renovado até 07 de Janeiro, com recolher obrigatório entre as 23:00 e as 05:00 nos concelhos do território do continente de contágio mais elevado.

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