“O meu sonho como cavaleiro é participar nos Jogos Olímpicos e liderar o ranking mundial”

Justino Alves e Filipe Canelas Pinto

O jovem cavaleiro Justino Alves, de apenas 16 anos de idade, integrou a equipa portuguesa no Campeonato da Europa de Ensino de Juniores de Dressage, que decorreu entre 9 a 14 de Agosto, em Budapeste, na Hungria. Apesar de ser algarvio, desde 2017 que o atleta se radicou no Centro Equestre da Quinta da Alorna, em Almeirim, com objectivo de melhorar na modalidade e chegar o mais longe possível nas competições equestres. O Correio do Ribatejo esteve à fala com o atleta Justino Alves e o treinador Filipe Canelas Pinto que nos deram a conhecer um pouco mais dos seus percursos.

Justino Alves

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Como é que a equitação surge na sua vida? 
A equitação surgiu na minha vida quando tinha cinco anos. Fui à quinta de um amigo do meu pai e ele convidou-me para montar um cavalo, essa foi a minha primeira experiência, e por ter gostado pedi aos meus pais para começar a frequentar aulas de equitação.

Fale-nos um pouco do seu percurso e com quem foi aprendendo. Quais as características essenciais para ter sucesso neste desporto?
Iniciei a prática equestre no picadeiro do Sr. José Cabrita. Em 2017 comecei a treinar no Centro Equestre Quinta da Alorna em Almeirim com o Mestre Filipe Canelas Pinto onde me encontro até hoje. Segundo o meu ponto de vista as características essenciais para ter sucesso na disciplina de Ensino (Dressage) são dedicação, determinação, treinar muito e ser acompanhado durante os treinos por um bom treinador de forma a que faça o conjunto evoluir (cavalo e cavaleiro).

O que lhe passa pela cabeça antes de começar uma prova? Como se prepara? 
O que me passa pela cabeça antes de entrar em prova é o medo de falhar e procurar dar o meu máximo. A minha preparação é procurar a concentração e abster-me dos resultados dos meus adversários, de forma a concentrar-me só no meu cavalo.

Qual é a cadência dos treinos?
Durante a época escolar tenho mais dificuldades em vir treinar ao Centro Equestre Quinta da Alorna, mas apesar disso tento vir todos os fins-de-semana que posso, durante as férias escolares ou próximo das competições importantes estou no Centro Equestre Quinta Da Alorna.

Qual a prova mais marcante até à data?
Alcançar a medalha de bronze no Campeonato Nacional em 2018 e poder participar no Campeonato da Europa este ano.

Da sua experiência, como é que o cavaleiro ultrapassa as situações em que a realidade fica abaixo das expectativas?
Tenho imensa dificuldade em lidar com essa situação porque a minha expectativa é fazer bem, e por isso quando tenho provas menos conseguidas fico frustrado.

Até onde quer chegar na modalidade?
O meu sonho como cavaleiro é participar nos Jogos Olímpicos e liderar o ranking a nível mundial.

Qual foi o melhor conselho que já lhe deram?
O melhor conselho que já me deram foi para continuar a montar a cavalo porque tinha muito jeito.

Quem foi a pessoa que mais o influenciou ao longo da vida?
A pessoa que mais me influencia do ponto de vista Equestre é o meu treinador Filipe Canelas Pinto.

Tem algum ídolo?
Os meus ídolos são o meu treinador Filipe Canelas Pinto e um cavaleiro holandês cujo o nome é Edward Gal.

Como se descreve como cavaleiro?
Como cavaleiro considero-me sensível, trabalhador, humilde, amigo dos cavalos e com sensibilidade para montar a cavalo.

“O que procuro nos meus alunos é potenciar as suas capacidades”

Filipe Canelas Pinto

Portugal tem condições para a prática deste desporto?
Portugal tem condições para a prática equestre, é um país com boas condições climatéricas (em determinadas alturas do ano demasiado quente), é produtor de cavalos em quantidade e com alguma qualidade. Para a competição internacional o maior problema é a distância para o centro da Europa, local onde se situam as grandes competições.

Que condições oferece o Centro Hípico da Alorna para os praticantes?
O Centro Equestre Quinta da Alorna, está essencialmente direccionado para a disciplina de Ensino (Dressage), e oferece óptimas condições para o seu desenvolvimento.

Qual é o palmarés até à data?
No meu palmarés como treinador de Ensino destacam-se as diversas medalhas que os meus alunos já ganharam nos diversos escalões etários em Campeonatos Nacionais, e nas suas participações em Campeonatos da Europa. No meu palmarés como cavaleiro de Ensino de Competição (Dressage), posso evidenciar as 10 medalhas (sendo uma de ouro, cinco de prata e quatro de bronze) ganhas em Campeonatos de Portugal, e também participações em Campeonatos da Europa e do Mundo.

Que características procura num aluno?
O que procuro nos meus alunos é potenciar as suas capacidades e ensinar-lhes técnica de forma a que possam conseguir os seus objectivos. Também ajudá-los a lidar com as suas emoções, para que possam entrar em pista em condições de obter o resultado esperado.

E nos cavalos que leva a competição?
Procuro que os meus cavalos, quando em competição se sintam bem e que estejam com gosto de o fazer, eles têm de estar com vontade, para poderem dar o seu máximo e assim ajudaram-me atingir os meus objectivos.

Que cavalo(s) nunca esquecerá e porquê?
Ao longo da minha carreira tive diversos cavalos, com os quais estabeleci uma ligação muito grande, e que me ajudaram a realizar os objectivos, a todos eles estou muito agradecido.

Do seu conhecimento, que opinião tem sobre os cavaleiros portugueses?
Os cavaleiros portugueses têm capacidade para a prática do Ensino de Competição, mas deverão procurar melhorar a sua técnica de ensinar os cavalos, assim como a técnica de apresentação em pista. Para além disso hoje é muito difícil de ter acesso aos cavalos de ‘TOP’, devido ao seu elevado custo e também por ser difícil de encontra-los.

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