Países com governos que apostam em subestimar, ou até menosprezar, as consequências da pandemia de COVID-19 em vidas humanas e saúde pública, como foi o caso dos EUA de Trump ou é atualmente o caso do Brasil de Bolsonaro, têm tido a oposição de todos quantos valorizam a informação científica e uma avaliação esclarecida dos factos. Esta oposição é frequentemente destilada e vertida num slogan direto e esclarecedor: “O negacionismo mata!”. E mata mesmo; basta ver o que se tem passado na Índia ou no Brasil.

Curiosamente, do Brasil veio recentemente a notícia de outro negacionismo. Sérgio Rodrigues, escritor brasileiro vencedor de uma das edições do Prémio de Literatura Portugal Telecom, defendeu com laivos nacionalistas que o português em Portugal e no Brasil são línguas diferentes, embora parecidas. Esta negação da partilha de uma língua comum entre Portugal e Brasil é tão descabida como qualquer negacionismo de factos. A tentação de apagar, lixiviar ou adulterar a memória de factos históricos tem sido uma constante de vários regimes e correntes, quase sempre totalitários. Não se podem mudar factos históricos só porque se quer defender uma tese.

O negacionismo mata. Negar a perigosidade de um vírus mata seres humanos. Negar a história mata a cultura democrática.

Miguel Castanho – Investigador em Bioquímica

Leia também...

Correio do Ribatejo – 129 Anos: “Todos temos de fazer a nossa parte e a vossa é feita!”

Até há pouco tempo, o mundo global, estava formatado nas nossas percepções de uma forma tal que, uma situação de pandemia, só seria possível…

‘Agri e doce…’, por Ricardo Segurado

O país comemorou na passada segunda-feira, pelo quadragésimo oitavo ano, o 25 de abril. Após um período de 2 anos em Pandemia, regressaram, um…

O regresso do Festival de Folclore Celestino Graça… por Ricardo Segurado

De 6 a 11 de setembro, Santarém irá receber aquele que é o seu Festival de Folclore com maior notoriedade e dimensão. O Festival…

‘Quem sai aos seus…’, por Pedro Carvalho

Em 1978, o meu irmão Fernando João Nogueira Carvalho era o mais jovem de todos os deputados da Assembleia da República na I legislatura.…