Países com governos que apostam em subestimar, ou até menosprezar, as consequências da pandemia de COVID-19 em vidas humanas e saúde pública, como foi o caso dos EUA de Trump ou é atualmente o caso do Brasil de Bolsonaro, têm tido a oposição de todos quantos valorizam a informação científica e uma avaliação esclarecida dos factos. Esta oposição é frequentemente destilada e vertida num slogan direto e esclarecedor: “O negacionismo mata!”. E mata mesmo; basta ver o que se tem passado na Índia ou no Brasil.

Curiosamente, do Brasil veio recentemente a notícia de outro negacionismo. Sérgio Rodrigues, escritor brasileiro vencedor de uma das edições do Prémio de Literatura Portugal Telecom, defendeu com laivos nacionalistas que o português em Portugal e no Brasil são línguas diferentes, embora parecidas. Esta negação da partilha de uma língua comum entre Portugal e Brasil é tão descabida como qualquer negacionismo de factos. A tentação de apagar, lixiviar ou adulterar a memória de factos históricos tem sido uma constante de vários regimes e correntes, quase sempre totalitários. Não se podem mudar factos históricos só porque se quer defender uma tese.

O negacionismo mata. Negar a perigosidade de um vírus mata seres humanos. Negar a história mata a cultura democrática.

Miguel Castanho – Investigador em Bioquímica

Leia também...

O associativismo de raiz popular e os efeitos da pandemia, por Ludgero Mendes

Com a superação das necessidades mais básicas para a sobrevivência humana e conquistado algum tempo de lazer para os trabalhadores, a sociedade começou a…

Já cheira a Feira… por Ricardo Segurado

A partir de maio, quem passa pela zona do CNEMA (Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas), palco desde há quase três décadas da…

‘Natal’, por João Paulo Narciso

Aqui há uns anos, nesta mesma coluna onde vos escrevo, semanalmente, deixei expresso o desejo de, por cada ano que passe, o espírito da…

“Um caminho interrompido”, por Fabíola Cardoso

O primeiro ano foi complicado, porque era o primeiro: tudo novo, diferente, grande. Mas foi! O segundo… bem o segundo foi o Covid. Tod@s…