Obra composta por cinquenta poemas organiza-se em cinco ciclos temáticos e explora, de forma simbólica e serena, a tensão entre o silêncio e a claridade, o corpo e o sagrado.

Foi recentemente publicado O Silêncio Habitado: Degraus para a Claridade, livro de poesia que reúne cinquenta textos originais e que propõe uma viagem interior, desenhada através da linguagem, do silêncio e da luz. Dividido em cinco ciclos — Antemanhã, Das Raízes e dos Nomes, Dos Líquidos e do Sangue, Das Pedras e dos Silêncios e Da Claridade —, o livro convida o leitor a subir, degrau a degrau, uma escada espiritual construída com palavras contidas, imagens simbólicas e ritmo meditativo.

Num registo deliberadamente depurado e silencioso, cada poema trabalha a tensão entre o visível e o invisível, entre o humano e o transcendente, evocando um universo onde a espera, a contemplação e a nomeação do mundo se cruzam com a sede de sentido e o reencontro com o essencial.

O livro não recorre a ornamentações nem a excessos estilísticos. Pelo contrário: afirma-se por uma contenção expressiva e por uma cadência interior que convida à escuta. Termos como pedra, degrau, escada, casa, trigo, semente, silêncio ou claridade surgem como imagens estruturantes de uma poética que busca o essencial com humildade e rigor.

Segundo o autor, Filipe Mendes, esta obra “nasce como um gesto de escuta, uma forma de nomear o que permanece inominável”. O texto inicial, que funciona como nota de abertura, afirma que os poemas são “tentativas de habitar o silêncio e de encontrar na palavra o seu peso justo e a sua exacta leveza”.

Embora o livro dialogue com tradições poéticas de matriz espiritual e com autores que exploram a linguagem como forma de ascese, O Silêncio Habitado afirma uma voz própria. A escrita é simples sem ser simplista, densa sem ser obscura, e coloca o leitor perante uma experiência que é simultaneamente estética e existencial.

A obra está já disponível em formato físico e digital, com distribuição através de plataformas como a Amazon Kindle, e será brevemente apresentada em Santarém, em data a anunciar. O autor, que tem já um percurso ligado à escrita, ao jornalismo e à cultura da região, refere que este livro representa “um marco íntimo, mas também uma oferenda pública, feita de silêncio, palavra e caminho”.

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