No próximo dia 15 de setembro, o Serviço Nacional de Saúde assinala 47 anos. Quase meio século depois da sua criação, continua a ser uma das maiores conquistas coletivas do país: a certeza de que, perante a doença ou a fragilidade, ninguém deve ficar para trás.
Mas o SNS não é uma ideia abstrata, nem se resume aos hospitais, aos centros de saúde, aos equipamentos ou aos números da atividade assistencial. O SNS constrói-se todos os dias.
Constrói-se, naturalmente, pelas equipas médicas e de enfermagem, pelos técnicos de diagnóstico e terapêutica, farmacêuticos, psicólogos e outros profissionais junto dos utentes. Mas constrói-se também muito antes de uma consulta começar e muito depois de uma cirurgia terminar.
Constrói-se por quem recebe uma pessoa à entrada, atende um telefone, agenda um exame, prepara uma refeição, higieniza um quarto, esteriliza material, transporta um doente, garante um sistema informático, assegura uma escala, compra um medicamento, repara um equipamento, trata da roupa, organiza um processo, planeia e gere recursos ou mantém uma unidade aberta e segura.
Constrói-se pelos assistentes operacionais e técnicos, equipas de limpeza, cozinhas, manutenção e logística, administrativos, engenheiros, informáticos, gestores, serviços de apoio e voluntários. Por todos aqueles cujo trabalho tantas vezes não é visível, mas sem o qual nenhum cuidado seria possível.
É esta dimensão coletiva que importa recordar no Dia do SNS.
Na Unidade Local de Saúde do Médio Tejo somos perto de três mil profissionais, em três hospitais e 35 unidades funcionais de cuidados de saúde primários, ao serviço de cerca de 170 mil pessoas. Somos uma comunidade que se constrói todos os dias na articulação entre serviços, na partilha de responsabilidades, na entreajuda e no compromisso comum de cuidar melhor.
E os resultados que alcançamos são sempre o resultado desse trabalho coletivo. Quando uma unidade móvel de saúde chega a uma localidade mais distante, há muitas mãos por detrás dessa resposta. Quando a nossa maternidade ultrapassa os 800 partos anuais ou quando atingimos a 50.ª cirurgia robótica apenas sete meses depois de introduzir esta tecnologia no Médio Tejo, há equipas inteiras a tornar possível aquilo que pode parecer apenas mais um número.
O mesmo acontece quando investimos em instalações, equipamentos e tecnologia. Em 2026, a ULS Médio Tejo tem em curso um plano de investimento de cerca de 15 milhões de euros, nos hospitais e nos cuidados de saúde primários. Esse investimento só ganha verdadeiro sentido quando se transforma em mais acesso, mais qualidade, mais segurança e melhores cuidados.
O SNS vive também de desafios. Persistem dificuldades no acesso, carências de profissionais e uma pressão crescente sobre as equipas. Seria errado ignorá-las. Mas seria igualmente injusto permitir que essas dificuldades apagassem o enorme esforço diário de milhares de pessoas que continuam a fazer funcionar este serviço público e a procurar respostas novas para problemas antigos.
Celebrar o SNS é reconhecer essa capacidade de continuar. De melhorar. De inovar. De chegar mais perto. E de nunca perder de vista a pessoa que está do outro lado. Às vezes, também se constrói nas coisas mais simples: num “bom dia”, num “obrigado”, num gesto de respeito.
Na ULS Médio Tejo escolhemos uma assinatura que resume aquilo em que acreditamos: “Juntos para Cuidar dos Seus”. Neste Dia do SNS, essa frase gan
Porque o Serviço Nacional de Saúde não se construiu apenas em 1979. Constrói-se hoje. Amanhã. Em cada unidade de saúde. Em cada gesto, em cada decisão, em cada cuidado.
E constrói-se, todos os dias, por todos nós.
Casimiro Ramos
Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo
