Opinião/Teresa Lopes: Lar Moderno

O Lar Moderno, estabelecimento de mobiliário e decorações, abriu as suas portas ao público a 2 de Janeiro de 1945. A loja pertencia a Francisco A. Luís e funcionava na rua 1.º de Dezembro, 28 a 38, enquanto a sucursal se situava na mesma artéria, 81 a 87 e as oficinas, nos números 81 a 93. Os clientes podiam adquirir, a pronto ou a prestações, mobiliário de todas as categorias, sofás, tecidos para estofos, tapetes e carpetes. O Lar Moderno para além de executar todos os trabalhos de marcenaria e colchoaria em oficina própria, também representava a marca Adico que fabricava móveis cromados ou pintados em aço. O estabelecimento que tinha como lema “a boa qualidade faz o bom amigo” apresentou, entre 6 e 10 de Janeiro 1945, uma exposição de bordados da ilha da Madeira. No Natal desse ano, o Lar Moderno tinha “em exposição mobiliário artístico (…) entre ele figuravam mobílias de quarto D. João V e de casa de jantar Renascença holandesa, para que chamamos a atenção dos apreciadores de móveis de estilo, quer pela elegância da sua concepção quer pelo seu esmerado acabamento. Não é fácil, na verdade, encontrar peças de tão gracioso recorte e, ao mesmo tempo, de tão grande beleza, impondo-se pela perfeição da talha de excepcional valor decorativo. Estas referências fazemos, não como reclame comercial, mas pelo merecimento industrial das obras expostas, que deste modo se impõem à admiração e apreço de todos que ali vão” (CR, 15/12/1945, p. 2). Para além de mobiliário e móveis a avulso, a casa comercial também vendia papéis de parede pintados, tapeçarias de Beiriz, Arraiolos e Lousã. Ao comemorar o seu segundo aniversário, o Lar Moderno oferecia aos compradores de mobílias completas “uma apólice de seguro por um ano, do valor das suas compras” (CR, 9/11/1946, p. 2). A elegância e bom gosto marcavam as exposições do Lar Moderno que, em 1947, comprava, trocava e vendia móveis usados. A 18 de Janeiro de 1948, na comemoração do terceiro aniversário do estabelecimento, realizou-se um almoço de confraternização nas oficinas que reuniu os sócios e empregados da firma. Durante o repasto discursaram Sobral Bastos e Francisco Luís, pela gerência e Carlos Martins, em nome de todos os trabalhadores. Nesse ano, a casa comercial assumia a assistência do mobiliário que vendia, para além da garantia de cinco ou dez anos conforme a categoria. O Lar Moderno manteve-se em funcionamento até à década de 90 do século XX, sob a orientação de Máximo da Graça.

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