A humanidade, quando não tem explicações lógicas que justifiquem certas coisas, agarra-se a crendices, para justificar os seus comportamentos e assim fica descansada perante os outros e consigo mesma.
“Bom Ano Novo; Feliz Ano; Boas Saídas e Melhores Entradas”.
Também por estas alturas se fala em Ano Novo … Vida Nova!!! Todos sabemos que ninguém irá pedir responsabilidades por compromissos deste tipo, ainda que tomados de maneira tão formal: – Estes quilos que tenho a mais, vou deixá-los na estrada, porque vou passar a correr todos os dias uma hora e doces nem me chegarei a eles, ou a patuscadas, só no ecrã do telemóvel. Até às férias, vou perder 10 quilos, para ir à praia sem ter de encolher a barriga.
Juro que é este ano que vou deixar o tabaco. No mínimo vou deixar de fumar 20 por dia e quero baixar para baixo dos dez, (ninguém mos vai contar e assim será fácil de cumprir…)
O que pretenderá afinal o humano com esta histeria colectiva de mentiras? Apenas e só entregar a terceiros a responsabilidade de mais um ano de fracasso?
Vivemos uma sociedade que está sobretudo presa a ditames de cultura do corpo, que visa atingir maior longevidade do homem, o seu eterno problema de finitude.
Não seria preferível pensarmos antes de que não resulta fazer planos para a vida, porque a vida já tem os planos todos feitos, à medida, para cada um de nós?
Quando este jornal chegar às vossas mãos, está a retirar-se a toalha de renda da nossa avó, que esteve posta na mesa, com os fritos e bolos do Natal, as carnes dos assados e as fumegantes e acolhedoras postas de bacalhau da consoada.
Apagaram-se também já as velas e o azinho foi para o local das coisas descartáveis.
As luzes coloridas catrapiscando, quais semáforos em ruas sem trânsito, terminaram já o seu trabalho.
A sala está de novo mais fria e sem a gritaria da pequenada. Ainda anda por ali, por debaixo de um sofá, o pedaço de papel colorido, com largas riscas, alternando o branco com o vermelho. O que terá tido embrulhado? E para quem?
O Ano Novo entrou rigoroso, deixa ver-se num dia cinzento e a gente passa depressa, como que a virar-lhe as costas.
Os noticiários das rádios e das televisões anunciam com moderado interesse que faltam duas semanas para as eleições presidenciais e ninguém dá um candidato vencedor absoluto. Mas temos mesmo de gastar mais dinheiro para dar um novo inquilino a Belém? A democracia está cada vez mais cara.
Estava mesmo agora a pensar que vou esperar pela segunda volta para depois iniciar aquilo que prometi começar a fazer, depois de terminadas as festas…
Afinal, um mês de diferença não tem importância.
Bom ano de 2026 para todos os leitores.
