Não pretendo aqui falar de grupos de corrida informal que treinam regularmente ao final da tarde dos dias de semana e nas manhãs dos sábados, domingos e feriados.
Esses grupos, ancorados ou não em clubes institucionalizados, já existiam há 40 anos, quando os então ainda escassos participantes preparavam as célebres provas de estrada do País, tais como a Meia-Maratona da Nazaré ou os 20 km de Almeirim.

Nos anos 90, as meias-maratonas de Lisboa (ponte 25 de abril) e de Portugal (ponte Vasco da Gama) vieram massificar essa participação, através, sobretudo, das chamadas “minis-maratonas” de 7 kms.

Já o fenómeno dos night runners foi algo de novo e muito diferente – e até surpreendente – que veio galvanizar e concretizar de forma inovadora as ideias do desporto para todos e da prática de hábitos de vida saudável, com um enquadramento cultural e específico em cada localidade.

Em 2015, os night runners encontravam-se espalhados por todo o país e reuniam, em conjunto, uns bons milhares de atletas, sempre à noite, depois de um dia de trabalho.
Não havia noite em que não se vissem pequenas multidões a correr nas principais cidades do país. Sintomaticamente, dizia-se numa reportagem à época: “Às segundas-feiras reúnem-se os Évora Night Runners e os Braga a Correr, à terça são os Correr Lisboa e os Corrida Noturna de Setúbal. À quarta é em Santarém, Beja, Coimbra, Leiria e Viseu; à quinta corre-se no Porto e à sexta-feira todo o Algarve se junta para palmilhar quilómetros. Em Aveiro corre-se ao sábado e em Castelo Branco é nas noites de lua cheia que o grupo se reúne para correr.”

Mas quando é que surgiu esta verdadeira onda? Vejamos alguns exemplos: Braga a Correr, em maio de 2015, Viriathvs Runners de Viseu, meados de 2014, FullMoon Run Party de Castelo Branco, fevereiro de 2013, Évora Night Runners, janeiro de 2015, Corridas à 6.ª Feira em pontos diferentes do Algarve, meados de 2013, Pax Julia Runners de Beja, meados de 2014, Corrida Noturna de Setúbal, junho de 2013, Correr Lisboa, abril de 2013, Brisas do Lis Night Run, de Leiria, abril de 2013, Night Runners Coimbra, novembro de 2013 e Aveiro Night Runners, agosto de 2013.

No Ribatejo, só para dar mais dois exemplos, os Abt Night Runners e os Entroncamento Night Runners, também eles criados em 2013.

Origens do fenómeno: os Scalabis Night Runners, que já em junho de 2011 vinham referenciados no roteiro “Santarém em 24 horas” no Suplemento “Tentações” da revista “Sábado” e o seu principal evento – a Scalabis Night Race – cuja primeira edição ocorreu em 2013, ajudando a desencadear este autêntico tsunami informal de corridas e caminhadas noturnas em Portugal.

1-Suplemento do jornal “o Jogo”, edição de 6-12-2015, com texto de Rui Jorge Trombinhas.

Inato ou Adquirido – Pedro Carvalho

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