Foto: Paulo Cunha - Lusa
Foto: Paulo Cunha – Lusa

A quatro dias do início da peregrinação de 12 e 13 de maio, são muitos os peregrinos que, principalmente do Norte, se dirigem a pé a Fátima, numa romaria que já é comum fora das datas das grandes celebrações.

O padre Daniel Mendes, assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima (MMF), que coordena a Comissão de Apoio aos Peregrinos a Pé, disse hoje à agência Lusa que “as peregrinações de maio e outubro ainda têm um número mais elevado de peregrinos [a pé], mas ao longo de todo o ano já se veem nas estradas muitos coletes” refletores, usados pelos caminhantes.

As peregrinações começam também a assumir contornos diferentes, “com muitos peregrinos a fazerem a sua caminhada de oração por etapas, fazendo parte do percurso num fim de semana e outra noutro”, até completarem a peregrinação, admitiu o sacerdote que, desde há três anos, acompanha no terreno as grandes peregrinações ao santuário da Cova da Iria.

Segundo Daniel Mendes, este facto levou a própria Infraestruturas de Portugal a manter ao longo de todo o ano, nas estradas, a sinalética dirigida aos peregrinos, com vista a aumentar a sua segurança.

Na localidade de Leais, no concelho de Pombal, onde, a partir de quinta-feira, funcionará um posto de acolhimento a peregrinos gerido pelo MMF, o assistente nacional do movimento fez questão de sublinhar a adesão da juventude às peregrinações ao Santuário de Fátima.

“Há grupos com muita gente nova e, nestes casos, trata-se da existência de uma grande devoção a Nossa Senhora. É essa devoção que faz com que o peregrino saia de casa, é o procurar algo mais que a rotina não lhe dá”, enfatiza o padre Daniel Mendes.

Com mais de 38 mil membros inscritos, com secretariados ativos na maioria das dioceses portuguesas, o MMF disponibiliza, nos períodos das grandes peregrinações, centenas de voluntários para os mais de dezena e meia de postos de assistência que tem a seu cargo nas principais rotas de passagem de peregrinos a caminho de Fátima.

Além dos postos geridos pelo MMF, existem mais três dezenas, a cargo da Cruz Vermelha Portuguesa e da Ordem de Malta.

Nos seus postos, além de prestar cuidados básicos de saúde aos peregrinos, como tratar dos pés, tratar alguma ferida e hidratar, o MMF tem sempre disponível sopa, fruta e água.

Para que as peregrinações decorram cada vez com maior segurança, mas também num ambiente de oração e interioridade, o Movimento orienta encontros com os guias dos grupos de peregrinos, em fevereiro e março, “para lhes dar as ferramentas necessárias a essa espiritualidade”.

“Além das indicações de segurança, damos-lhes a conhecer o tema do ano para o santuário e o MMF, damos a conhecer o santuário por dentro, para que conheçam os espaços a visitar e as obras de arte, que contam muito o que é a Mensagem de Fátima”, explicou Daniel Mendes, considerando que os guias “são peças fundamentais em toda a organização da peregrinação, para lhe dar mais profundidade”.

Daniel Mendes, que nos últimos dias tem estado a acompanhar o ritmo dos grupos oriundos do Norte do país, avançou que “há muitos peregrinos na estrada em direção a Fátima”.

A ajudar os peregrinos está a nova plataforma que a Comissão de Apoio ao Peregrino a Pé desenvolveu, com o seu parceiro tecnológico VOST Portugal, que visa aumentar a segurança de quem faz a pé o caminho até ao santuário.

A plataforma encontra-se disponível em https://mensagemdefatima.vost.pt/ e a comissão apela a que os guias e responsáveis de grupos de peregrinos se registem e insiram todas as informações relativas à peregrinação, nomeadamente horários de saída, chegada e pernoitas.

Segundo Daniel Mendes, há já 70 grupos registados, o que representa milhares de fiéis que caminham para a Cova da Iria até ao fim de semana.

Clara Costa, de 51 anos, está a fazer o caminho a pé pela terceira vez. Partiu na última sexta-feira de Cabeceiras de Basto e espera chegar a Fátima na quinta-feira.

O pior são “as dores nos pés”, mas a vontade de “fazer sacrifícios” face “ao estado do mundo” ajuda a ultrapassar as dificuldades.

Também do Norte do país, mas de Mirandela, São Barbosa, de 56 anos, partiu no dia 01 de maio para a sua 11.ª peregrinação.

Afirmando que não vai a Fátima em cumprimento de qualquer promessa, disse que o objetivo é “agradecer, apenas isso”.

Daniel Mendes corrobora que, “hoje em dia, assiste-se muito à vontade da reparação nas peregrinações”, enquanto, anteriormente, era mais o cumprimento de promessas.

Nas proximidades do Santuário de Fátima ainda não são muitos os peregrinos visíveis, sendo esperados milhares a partir de sexta-feira.

Na estrada estão já operações especiais da GNR e da PSP para garantir a segurança dos fiéis que se dirigem para as cerimónias de 12 e 13 de maio, que serão presididas pelo arcebispo de Barcelona, Juan José Omella.

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