Foto Ilustrativa // Município da Chamusca

A ponte da Chamusca, na EN243, foi encerrada à circulação devido a fissuras no pavimento da estrada de acesso, agravando-se os constrangimentos de mobilidade num distrito com várias vias afetadas, devido às cheias no Tejo, alertou hoje o município.

“As cheias e a tempestade Kristin estão a afetar todo o distrito de Santarém, nomeadamente a mobilidade e a circulação rodoviária no concelho da Chamusca. A situação vem expor problemas estruturais já identificados, como a insuficiência do tabuleiro da ponte, e evidencia a necessidade urgente de concretizar o IC3 [itinerário complementar]”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira.

O fecho atual da ponte na Estrada Nacional (EN) 243 deveu-se inicialmente, na quinta-feira passada, à submersão do acesso à travessia, provocada pelo galgamento do Dique dos 20, do lado da Golegã.

A ponte reabriu na terça-feira, com a descida das águas, mas o pavimento revelou fissuras, levando as autarquias da Chamusca e da Golegã a interditar novamente a circulação e a chamar uma equipa técnica da Infraestruturas de Portugal (IP) para avaliação.

Enquanto não houver parecer técnico da IP, a alternativa mais próxima é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que liga a Vila Nova da Barquinha, mas impede a passagem de veículos pesados, limitando o transporte de mercadorias e serviços essenciais.

Segundo Nuno Mira, “desde que foram feitas obras de requalificação da ponte, o tabuleiro estreitou e dois camiões não se conseguem cruzar, causando graves constrangimentos não só ao concelho, mas a toda a região”.

O presidente da Câmara sublinhou que o fecho da ponte “exponencia um problema estrutural antigo, que obriga a procurar soluções para o tráfego de veículos pesados”, nomeadamente para o transporte de resíduos.

“Os camiões da RSTJ têm de fazer percursos muito maiores pela A1 e dar a volta por Santarém para chegar a Alcanena, Entroncamento ou Constância, com centenas de quilómetros adicionais e passagem por dentro de populações”, notou, referindo-se à empresa de gestão e tratamento de resíduos da zona.

O problema local reflete-se numa realidade territorial mais ampla, com o distrito de Santarém a registar cerca de uma centena de estradas nacionais e municipais submersas, interditadas ou condicionadas devido às cheias do Tejo e afluentes.

O distrito de Santarém conta com várias travessias sobre o Tejo, entre as quais se destacam as pontes de Abrantes, Constância-Sul (Praia do Ribatejo), Santarém (duas) e a ponte da Chamusca, essenciais para a circulação de veículos e mercadorias entre as margens do rio.

Entre Abrantes, mais a norte, e Santarém, a sul do distrito, existem cerca de 100 quilómetros de distância, pelo que cada travessia tem um papel estratégico na circulação regional.

A ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, é a alternativa mais próxima à ponte da Chamusca, mas apresenta restrições significativas, uma vez que, além da circulação alternada e regulada por semáforos, não permite a passagem de veículos pesados, o que limita o transporte de mercadorias e serviços essenciais e obriga a percursos muito mais longos para camiões.

Nuno Mira adiantou ainda ter já solicitado reunião com o ministro das Infraestruturas para discutir a concretização do IC3, uma infraestrutura prometida há mais de 20 anos, considerada essencial para a circulação segura de pessoas e bens entre os dois lados do Tejo.

“Temos que estar ativos no terreno e ter uma voz ativa para pressionar o Governo”, reforçou.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, também na qualidade de presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Proteção Civil distrital, já havia alertado para a fragilidade das travessias e da rede viária, lembrando que as atuais intempéries apenas evidenciam problemas estruturais que vêm sendo identificados há anos.

“É fundamental que o Plano Rodoviário Nacional avance com soluções estruturais como o IC3 e o IC9 para reforçar a circulação de veículos pesados e garantir alternativas seguras em situações de cheias. Estas obras não podem continuar adiadas, pois a rede viária do distrito está sobrecarregada e vulnerável, e cada episódio de intempéries evidencia a necessidade de investimentos estruturais consistentes”, defendeu.

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