Foto ilustrativa

Um terço dos portugueses que recorreu às urgências nos últimos dois anos dirigiu-se directamente ao hospital porque os centros de saúde estariam fechados quando necessitaram, segundo um inquérito da Deco/Proteste.

Os resultados mostram ainda que apenas 22% dos inquiridos que foram à urgência ligaram antes para a linha SNS24 (808 24 24 24), serviço que se apresenta como uma ferramenta para triagem, aconselhamento e encaminhamento na doença aguda não emergente.

Os resultados são divulgados pela revista Teste Saúde, com base num inquérito a mais de 1.300 portugueses adultos realizado no final do ano passado, reflectindo a utilização dos serviços nos dois últimos anos.

Questionados sobre por que razão foram directamente para o hospital, quase metade dos inquiridos apresenta como motivo as “melhores condições para efectuar o tratamento”, enquanto em 33% dos casos indicam que “as urgências do centro de saúde estavam fechadas”.

Há ainda 29% dos inquiridos que consideram que os profissionais de saúde dos hospitais estão “mais habilitados a lidar com situações difíceis”. No conjunto das respostas, há 36% que referem que o seu centro de saúde “não tem consultas de urgência”.

Entre as pessoas que indicam terem necessitado de uma urgência, 72% foi a um hospital público, 16% dirigiu-se a serviços privados e 12% a centros de saúde.

Os centros de saúde ou unidades de saúde familiares não têm propriamente unidades ou serviços de urgência, mas a generalidade apresenta um serviço para situações agudas em determinados horários do dia.

“Se quer reservar os hospitais para casos graves, o Ministério de Saúde, além de reforçar os cuidados de saúde primários, deve continuar a promover a linha SNS 24 como meio de triagem e encaminhamento”, refere a análise da Deco/Proteste.

Quanto à satisfação com as urgências do hospital público, a nota global dada é positiva – 6,4 numa escala de 1 a 10, com destaque para a competência dos profissionais de saúde (nota 7,4 para enfermeiros e 7 para médicos).

Nota negativa apresenta o tempo de espera por resultados de exames (4,7), enquanto o tempo de espera até observação médica recebeu uma classificação média de 5,2 em 10 pontos.

Em termos de triagem, mais de metade dos inquiridos que foram à urgência receberam pulseira amarela e 26% pulseira verde. As pulseiras laranja e vermelha foram atribuídas, respectivamente, a 13% e 2% dos inquiridos neste estudo.

Os dados oficiais mostram que cerca de 40% dos atendimentos em urgência nos hospitais públicos no ano passado foram considerados pouco ou na urgentes, representando mais de dois milhões de casos.

Os números do primeiro semestre deste ano confirmam a mesma tendência, segundo uma análise feita pela agência Lusa aos dados disponibilizados no portal da Transparência do SNS.

Só entre Janeiro e Junho deste ano houve quase 1,1 milhões de episódios de urgência nos hospitais do SNS considerados pouco ou nada urgentes, a utentes a quem foram atribuídas pulseiras amarelas ou verdes na triagem de Manchester.

A atribuição do verde e do azul como prioridade clínica significa que os utentes poderiam ser encaminhados para outros serviços de saúde, como os cuidados primários.

Leia também...

Colheita de sangue no Campus de Saúde da Misericórdia de Vila Franca de Xira reforça solidariedade social

A segunda colheita de sangue no Campus de Saúde da Misericórdia de Vila Franca de Xira (MVFX), organizada em parceria com a Associação de…

Dádiva de Sangue no dia 5 de Fevereiro na Casa do Campino

A Casa do Campino, em Santarém, volta a receber uma recolha de sangue, numa organização do Grupo de Dadores de Sangue de Pernes (GDSP).…

Liga Portuguesa Contra o Cancro retoma apoio nas refeições dos doentes internados no HDS

Os Voluntários do Grupo de Apoio de Santarém do Núcleo Regional Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro recomeçaram, esta segunda-feira, o apoio nas…

Centro de Saúde de Rio Maior transferido temporariamente para Pavilhão Multiusos

O centro de saúde de Rio Maior vai passar a funcionar no Pavilhão Multiusos, a partir de segunda-feira, no âmbito das obras de requalificação…