Um ano depois de assumir a presidência do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Lezíria, Pedro Marques faz um balanço exigente e assumido de um mandato marcado pela integração de cuidados, pela pressão sobre os recursos humanos e pela necessidade de afirmar o Serviço Nacional de Saúde como um projecto colectivo. Nesta entrevista ao Correio do Ribatejo, o responsável aborda os desafios da gestão hospitalar, o futuro do Hospital Distrital de Santarém, a aposta na humanização dos cuidados e defende que a região deve aprender a valorizar o SNS “com o mesmo orgulho com que os britânicos defendem o seu NHS”.
Assumiu a presidência da ULS da Lezíria há cerca de um ano. Que balanço faz destes primeiros 12 meses à frente de uma estrutura tão complexa e com tantos desafios?
Foi um ano de actividade muito intensa, que requereu compromisso, foco, alinhamento e disciplina, não apenas pessoal, mas de toda a equipa do conselho de administração e dos profissionais de saúde que, com a sua energia e elevado profissionalismo, cumpriram e até superaram em alguns casos as metas do quadro mínimo de produção negociado com a tutela.
Olhando para trás as palavras que me ocorrem são gratidão e orgulho. A gratidão expresso-a aos profissionais da ULS, pela resposta que souberam dar perante os diversos desafios. O orgulho decorre do caminho que fizemos, com importantes conquistas no meio de diversas dificuldades.
Foi um ano repleto de desafios também na dinamização de processos que visaram maximizar as oportunidades criadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Alentejo 2030, de modo a reverter em novos investimentos para a nossa ULS.
Num contexto exigente de mudança estrutural — com a criação das ULS e a integração de cuidados — como foi gerir a transição entre o modelo anterior e este novo paradigma organizativo?
Trata-se de um processo que ainda não está totalmente concluído. A miscigenação de culturas distintas, o risco de perda de identidade e autonomia por parte de algumas pessoas e unidades, bem como as resistências normais que um processo de mudança organizacional e cultural sempre implicam, resultaram num processo lento, de melhorias incrementais e progressivas, por vezes com baby steps mas sempre na direcção certa. A tarefa do conselho de administração aqui assemelha-se à de um maestro em frente da orquestra: os talentos estão lá, os instrumentos são bons e podem ou não carecer de alguma afinação, a acústica da sala é a que já existia antes de todos entrarem em palco e cada qual sabe o que tem a fazer, pelo que a nossa missão é fazer tocar uma sinfonia com vários andamentos, por vezes destacando um ou outro solista, procurando assegurar que a equipa tem confiança para fazer o que sabe fazer melhor, com maior ou menor dificuldade, mas onde se aprende sempre, onde existe entreajuda, complementaridade de funções, equilíbrio, ressonância e a capacidade para despertar emoções positivas no público, atingindo bons resultados e prosseguindo sempre em direcção à excelência. Direi que é um processo de mudança para continuar a ser aprofundado, onde todos os dias temos desafios e oportunidades, onde existe sempre espaço para aprender e melhorar.
O Hospital Distrital de Santarém assinalou recentemente os seus 40 anos de actividade. Que significado teve esse marco para si, enquanto novo responsável pela instituição, e que legado considera essencial preservar no futuro da ULS da Lezíria?
Foi, sobretudo, um momento de celebração, de evocação do caminho trilhado, de agradecimento a todos quantos o trilharam, mas também de reflexão sobre o futuro do hospital, agora integrado na Unidade Local de Saúde.
Queremos construir em cima do legado que recebemos, sendo sempre relevante para as organizações ter memória do passado e perspectiva de futuro, vivendo o presente.
Sinto que as comemorações tiveram muita dignidade, mobilização de profissionais, partilha de memórias, experiências e saberes, assim como projecção na sociedade civil, a comunidade que servimos, a principal razão para a nossa existência e o combustível necessário para a nossa melhoria contínua.
Durante o último ano houve episódios de instabilidade relacionados com a urgência de ginecologia/obstetrícia, falta de especialistas e protestos de profissionais. Como olha hoje para esses momentos e o que foi feito para evitar a repetição de situações semelhantes?
Não foi apenas nessa especialidade. O Hospital Distrital de Santarém tem falta de médicos em diversas especialidades. Dou como exemplos, para além da ginecologia e obstetrícia, a anestesiologia, a cirurgia geral, a medicina interna, a urologia ou a gastroenterologia, entre outras. Mas também noutros grupos, trabalhamos por vezes aquém das dotações necessárias de profissionais. É uma realidade transversal e comum em muitos hospitais e também nos cuidados de saúde primários, e sentimos essas dificuldades na nossa ULS e no hospital, em particular. O nosso desafio é gerir com os recursos que temos, procurar atrair talento e criar condições para que escolham o nosso hospital e a nossa ULS. Ora, isso é algo que se constrói com exemplos positivos, com a celebração do que fazemos bem feito e felizmente fazemos muitíssimo mais coisas bem feitas do que o contrário. As conquistas que vamos fazendo ajudam a consolidar o sentimento de pertença a uma instituição, que se quer viva e dinâmica, não se acomodando.
Temos procurado criar melhores condições de trabalho, investir em equipamentos e infra-estruturas e tornar a ULS da Lezíria uma instituição cada vez mais atractiva para quem aqui queira exercer a sua profissão. Reconhecemos as dificuldades, mas rejeitamos uma narrativa de colapso ou de caos que não corresponde à realidade. Todos os dias são prestados inúmeros actos clínicos com qualidade, segurança e dedicação, graças ao profissionalismo das nossas equipas.
Um dos pontos em que mais insistiu ao longo do ano foi na necessidade de valorizar os profissionais de saúde e garantir estabilidade nas equipas. Que medidas concretas foram já adoptadas e quais se encontram em curso nesse sentido?
A valorização dos profissionais de saúde tem várias dimensões: algumas dessas dimensões, como as que se relacionam com as carreiras transcendem a esfera de actuação da ULS. O que nos compete fazer é, com as condições que temos, procurarmos encontrar motivos de atractividade para que os profissionais de saúde sintam que podem aqui desempenhar as suas competências técnicas especializadas e, ao mesmo, disporem de um ambiente interno com o qual se identificam, assim como condições externas, de vivência em comunidade, que oferecem qualidade de vida, segurança, habitação, rendimento, acesso a cultura, a educação, e a todas as demais dimensões da vida em comunidade que os centros mais geradores de atracção já oferecem.
Temos procurado internamente desenvolver políticas da qualidade, aumentando o acesso a formação, promovendo o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, estimulando a inovação, requalificando espaços e equipamentos, melhorando amenidades, comunicando muito e não apenas de cima para baixo, ouvindo, auscultando, dialogando, dando espaço para que as pessoas se sintam incluídas e capazes de contribuírem para gerar valor, mais do que executar tarefas.
O ano ficou ainda marcado pela abertura de procedimentos para constituição de Bolsa de reserva de recrutamento, para várias carreiras profissionais e de forma a estabilizar as equipas.
Numa recente entrevista, referiu a intenção de fazer com que os utentes da região se orgulhem do SNS como os britânicos se orgulham do seu NHS. O que falta para que isso se torne realidade na Lezíria?
Falta celebrarmos mais vezes o que fazemos bem feito, e que isso contagie a comunidade. Falta valorizarmos mais as nossas conquistas. Por norma gastamos, como povo, mais tempo a mostrar os erros, os fracassos, os aspectos mais negativos do que aquilo que é bom, o que fizemos e fazemos bem feito. Nas notícias e nas redes sociais existe uma avidez de mostrar o mau, o que funciona mal, explorando a crítica fácil e funcionando como mera espuma dos dias, num constante ajuste de contas com quem está acima de nós, seja lá isso o que for. Talvez seja cultural, por isso é preciso mostrar e celebrar as pequenas e as grandes vitórias, desde logo os indicadores de saúde e os excelentes progressos que o país e a região fizeram nas últimas décadas.
Por vezes damos valor às coisas quando as perdemos, quando deixamos de as ter. Os britânicos sempre tiveram orgulho no seu NHS, o equivalente ao nosso SNS. Gostaria muito que a nossa comunidade, incluindo cidadãos, decisores locais, regionais e nacionais, assim como as instituições e empresas lutassem pela necessidade de investimento na saúde, nos edifícios, nos equipamentos, no reforço de profissionais, aqui na nossa região, com a mesma intensidade e manifestação pública que empregaram à causa do aeroporto no distrito de Santarém ou com que se entregam, tantas vezes, em querelas fúteis e vazias de sentido, que pouco ou nenhum valor adicionam ao que existe de bom e que pode e deve ser objecto de melhoria.
Precisamos de ser todos aliados da saúde, que é talvez a área social mais exposta neste momento. E sobre a qual, hoje em dia, se fala como se fosse o comentário do jogo da última jornada de futebol. De repente parecem existir muitos especialistas em políticas de saúde e de modelos de organização da prestação de cuidados. Ora, isso contribui para o oposto do que seria ideal, e isso pode minar a confiança dos cidadãos nas suas instituições públicas de saúde, onde se pratica a excelência e onde muitos milagres acontecem todos os dias.
O reforço da rede de cuidados primários, a articulação com os municípios e a descentralização de respostas têm sido prioridades assumidas. Que resultados já se começam a ver nesta área?
Trabalhamos com os municípios, são nossos parceiros. No caso dos cuidados de saúde primários, são parceiros até com um nível de responsabilidade e compromisso maior do que aquele que existe na resposta de cuidados hospitalares e nos cuidados continuados.
Existe uma rotina de trabalho entre a ULS e a Comunidade Intermunicipal da Lezíria, e que pode ainda ser melhorada, de modo a que consigamos mais sinergias, mais compromisso e mais valor gerado por todos, com benefício para a nossa comunidade.
Na administração da ULS existe, de resto, um vogal executivo que resulta da auscultação da Comunidade Intermunicipal da Lezíria, que o indicou e que é mais um de nós, mas também representa os nove municípios da nossa área geográfica de intervenção por excelência.
E muito do investimento que temos em curso nos cuidados de saúde primários seria impossível de realizar se os municípios a isso não se tivessem lançado com determinação e com boa execução.
Muito se tem falado da situação económica e financeira da ULS e das dificuldades orçamentais existentes. O que pode dizer-nos sobre este tema?
Sobre este tema há diversos ângulos a partir dos quais podemos abordar o tema. Com a criação das ULS veio o modelo de financiamento por capitação ajustada pelo risco, considerando ainda os fluxos de doentes, o financiamento para programas específicos, incentivos, acordos de cooperação e uma última rubrica designada de prémio de desempenho.
Naturalmente, todos gostaríamos de ter orçamentos mais ajustados às reais necessidades das empresas que gerimos, e isso é também verdade no caso da nossa ULS Lezíria.
Se olharmos para os gastos com pessoal, os mesmos continuaram em 2025 a crescer face ao ano anterior, numa percentagem um pouco acima dos 12 por cento, cerca de 11,8 milhões, para quase 110 milhões de euros, embora tenhamos conseguido diminuir a realização de trabalho suplementar em quase mais de 3 por cento face ao ano de 2024. Face ao anterior cresceram ainda as despesas com material de consumo específico dos serviços, com subcontratos e concessões de serviços e com serviços especializados. Porém, importa acautelar que não é linear que se possa comparar directamente 2024 com 2025 porque, por exemplo, no ano de 2025 verificou-se um aumento substancial dos gastos com os Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) e com os Produtos Vendidos por Farmácias (PVF), uma vez que os gastos correspondentes aos primeiros três meses do ano de 2024 foram pagos e processados pela ARSLVT, o que não aconteceu no ano de 2025, em que a ULS da Lezíria, E.P.E. suportou todos esses encargos, sem que tivesse existido a correspondente compensação para o efeito, a qual representou mais de 15 milhões de euros.
A erosão quase total da cobrança de receitas é outra realidade de 2025.
Ao mesmo tempo importa destacar o trabalho que fizemos de recuperação da dívida. Nos primeiros meses do ano foi possível recuperar o registo de dívida que não estava reflectida em 31 de dezembro na sua totalidade, pois havia dívida por lançar. O valor corrigido da dívida, respeitante a 2024, passou a ser de 42,1 milhões de euros. O valor da dívida provisória registada no final de 2025 ascende a 41,3 milhões de euros, embora admita que ainda possam surgir faturas que aumentem um pouco este valor. Daqui se pode concluir que efectuamos um rigoroso e apertado controlo da dívida existente.
A pressão que sempre existe sobra a dívida resulta de um subfinanciamento que no futuro importará corrigir, associado com cinco grandes causas principais: em primeiro, ao aumento da massa salarial, incluindo as alterações legislativas, em segundo lugar a um crescimento significativo do consumo de medicamentos, em terceiro a um aumento dos gastos com os convencionados, em quarto ao aumento do valor dos subcontratos e concessões de serviços e, por fim, ao incremento dos gastos com material de consumo clínico. É aqui que nos focamos.
A aposta na humanização foi outro dos pilares estratégicos. Que acções concretas têm sido implementadas para que o utente se sinta mais acolhido, mais bem informado e com mais acompanhamento?
Temos uma Comissão de Humanização que é um dos principais pilares desta estratégia, promovendo diversas acções com o objectivo de criar um ambiente mais acolhedor para os utentes. Entre as iniciativas desenvolvidas, destacam-se as mensagens de melhoras a entregar nos serviços de internamento, acção que será integrada nas comemorações do Dia Mundial do Doente, assinalado a 11 de Fevereiro. Em colaboração com a Associação Voluntária do HDS, foram forrados cadeirões para a unidade de cuidados paliativos, estando também em curso a renovação dos cadeirões da Urgência Pediátrica. Foram ainda confeccionadas cerca de 1.000 fronhas para almofadas, 325 almofadas “coração” para utentes mastectomizadas, aproximadamente 150 bolsas para quimioterapia no domicílio, 50 sacos para alimentação e 40 aventais para drenos. Acresce ainda a oferta de diversos equipamentos, nomeadamente quatro televisores ao Serviço de Neonatologia.
É igualmente de salientar o projecto “Humanizar para melhor cuidar”, desenvolvido no internamento do Serviço de Psiquiatria, que recebeu apoio da Iniciativa Social Descentralizada do Banco BPI e da Fundação “la Caixa”, com o objectivo de melhorar o ambiente terapêutico através da aquisição de armários individuais, mesas de refeição e roupa desportiva para os utentes.
Paralelamente, estão a decorrer investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que permitirão modernizar e renovar as instalações, criando espaços mais acolhedores, seguros e funcionais. Complementarmente, a aposta em soluções digitais, como a plataforma PRISMA e a app myULSLezíria, facilita o acesso à informação clínica, aos agendamentos e à comunicação com os profissionais, promovendo uma experiência de cuidados mais simples e centrada na pessoa.
Felizmente, são muitos os bons exemplos de projectos que os diferentes serviços dinamizaram no sentido de melhorar e humanizar os cuidados prestados. Por exemplo, o Serviço de Obstetrícia e Neonatologia venceu prémio Bairro Feliz, com projecto “Sala para pais da Unidade de Neonatologia”, visando permitir que os pais permaneçam junto dos seus bebés durante mais tempo, reduzindo o stress e reforçando o apoio emocional. Outro exemplo decorreu do prémio decorrente do orçamento participativo da Ordem dos Enfermeiros, destinado à consulta de enfermagem de reabilitação à pessoa com fractura de fragilidade ou risco de fractura por osteopenia ou osteoporose, e que consistiu na atribuição de vários equipamentos para a reabilitação.
Como está a ser preparado o futuro do HDS, nomeadamente em termos de modernização de infra-estruturas, equipamentos e respostas às novas exigências demográficas e clínicas?
Estamos a trabalhar no Plano Plurianual de Investimentos da ULS e, por maioria de razão, do próprio hospital. Estão identificadas as principais áreas que necessitam de investimento e são diversas: unidade de cuidados intensivos, serviço de urgência com SO, esterilização, cozinha, serviço de sangue, hospital de dia de oncologia, reforço da radioterapia com medicina nuclear e instalação de equipamento de PET (tomografia por emissão de positrões), melhoria das instalações dos serviços farmacêuticos, requalificação das enfermarias, climatização do hospital, desmaterialização e digitalização documental, reforço de tecnologias de saúde e de sistemas de informação e gestão, entre outros investimentos que são muito necessários para que possamos projectar o hospital do futuro.
Temos aproveitado as oportunidades do Plano de Recuperação e Resiliência, e do Alentejo2030, mas a ambição vai para além destes instrumentos poderosos a que temos vindo a recorrer e a incluir mais e mais projectos. Mas queremos trabalhar para além desse horizonte e para além destas ferramentas que um dia se irão esgotar, mesmo que a execução do planeamento ultrapasse a duração do mandato que nos foi atribuído. Trabalhamos para servir e essa é a melhor gratificação que pode existir: a certeza de que estamos a trabalhar para que, no futuro, as pessoas disponham de melhores condições e ferramentas de trabalho e que isso resulta em mais e melhor saúde para os nossos utentes e doentes.
Acreditamos que o posicionamento geográfico do nosso hospital, entre Lisboa e Coimbra, em cima das principais vias rodoviárias, ferroviária e futuramente também da nova estrutura aeroportuária, reclama de nós pensar na importância capital de termos um hospital moderno, bem dotado de recursos humanos e materiais.
A população da Lezíria é envelhecida e há desafios específicos em termos de mobilidade, isolamento e resposta no domicílio. Como é que a ULS se está a adaptar a este contexto?
Queremos estar mais perto e tudo fazer, dentro do possível, para evitar deslocações desnecessárias. O território é vasto e disperso e temos consciência de que a distribuição da oferta em saúde não é homogénea ao longo de todo o território.
A aposta em actividade de unidade de hospitalização domiciliária, as consultas descentralizadas e a entrada em funcionamento a curto prazo da nova Unidade Móvel, resultado de um investimento de cerca de 79 mil euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), destinada à realização de rastreios de saúde e exames de rotina, para além de poder vir a ser útil em mais outras actividades de saúde, permite levar os cuidados de saúde directamente às populações, sobretudo às comunidades mais afastadas das unidades de saúde, reforça a aposta na prevenção da doença e na promoção da saúde.
Na ULS Lezíria temos actualmente a funcionar as Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI), que são equipas multidisciplinares da Rede Nacional para os Cuidados Continuados Integrados e que prestam cuidados de proximidade no contexto domiciliário. Outro exemplo é o trabalho desenvolvido pelas equipas comunitárias de saúde mental, que também se deslocam, prestando cuidados de proximidade aos nossos utentes.
Por outro lado, está em desenvolvimento a criação de uma unidade de doentes complexos, em que se pretende reduzir as deslocações evitáveis à urgência, dirigida a utentes com mais de 75 anos e com várias comorbilidades.
Ao longo deste primeiro ano, que aprendizados retira como gestor? Houve algo que o surpreendesse particularmente, pela positiva ou pela negativa?
Prefiro sempre valorizar o que acontece pela positiva. E, felizmente, foram imensos os momentos, episódios e pessoas que suscitaram em mim, e seguramente em cada um dos elementos que me acompanham no conselho de administração, aprendizagens positivas. Naturalmente, só damos valor ao que é positivo porque conhecemos o negativo. A rosa que liberta perfume é composta também por espinhos. Quando a colhemos trazemos ambas as realidades para junto de nós, não o esqueçamos nunca.
Aprendemos sempre, todos os dias e até ao fim dos nossos dias. E com a crítica, quando ela é fundamentada e construtiva, também se aprende. É com este espírito que queremos continuar a trabalhar, servindo a nossa comunidade e procurando deixar a realidade melhor do que aquela que existia quando iniciámos funções. E, ao fazê-lo, desvalorizando quem se foca apenas em dizer mal, em criticar, em procurar até afectar o prestígio e a dignidade pessoal e profissional de quem está exposto.
Aprendi que temos excelentes profissionais, nos quais podemos confiar: dirigentes de serviços e departamentos da área de gestão e da área clínica, administradores hospitalares de carreira, médicos, enfermeiros, técnicos superiores e técnicos superiores de saúde, técnicos de diferentes grupos profissionais, assistentes técnicos, técnicos auxiliares de saúde e assistentes operacionais, assim como parceiros externos que fazem parte do dia a dia da nossa ULS. Todos contam, todos são necessários e a todos é pedido um contributo individual que tem sido largamente cumprido, por vezes mesmo superado. E todos, todos dias, nos ensinam, pois aprendemos sempre todos uns com os outros, não havendo iluminados omnipresentes e omniscientes. Desconfio sempre de quem acha que sabe tudo e que sabe sempre mais.
Que mensagem gostaria de deixar aos utentes, aos profissionais de saúde e aos decisores políticos, olhando para o futuro do SNS e da ULS da Lezíria?
Aos utentes direi que podem confiar na ULS Lezíria, na oferta de cuidados que fazemos e na competência dos nossos profissionais.
Somos uma das maiores empresas do distrito de Santarém, com a particularidade de actuarmos num sector que é essencial para as populações e que é a saúde.
A aposta na valorização da nossa actividade não é uma tarefa que seja competência apenas do conselho de administração e dos profissionais. Acredito que precisamos do envolvimento das partes interessadas e de todos canalizarmos as nossas energias no sentido positivo. É esse convite que reitero e aqui pretendo deixar explícito.
Aos profissionais de saúde, expresso profunda gratidão pela dedicação, resiliência, competência e humanismo. O trabalho que diariamente desenvolvem vai muito além da técnica, pois é um acto diário de dádiva, coragem e empatia.
Aos nossos parceiros peço que continuemos a trabalhar em conjunto.
Investir na saúde é investir no futuro da sociedade, na qualidade e bem-estar de todos.
Filipe Mendes

